Domingo, Novembro 16, 2008

In the end, it will be beauty that will save the world

- Tu não a amas, pois não? – Perguntava quase soluçando um choro infantil e incontido como um bebé cuja mãe o entregou a primeira vez no infantário

Ele levantou os olhos do molho de roupa na cadeira que se preparava para vestir e olhou para o seu corpo pequeno, branco e nu, à sua frente. Já não sentia um especial interesse por ela, estava satisfeito, mas sentia sempre que ela era uma irlandesa de um livro de Jane Austen, cor de leite, ruiva e bonitinha.

- Amo quem? – Acabou por responder voltando os olhos para a roupa - onde é que anda a porra da camisa - esperando que ela encetasse a conversa, afinal à coisas das quais é impossível escapar por isso mais vale acabar com isso de uma vez.

- Ela, a mulher da tua vida! – Só por uma questão de educação e contenção é que não cuspiu para o chão no fim da frase, tal é o desprezo que sente por “ela”

- Se fosse o homem da tua vida, não o amavas? – Responder uma pergunta com outra é uma boa forma de ganhar tempo para se encontrar os boxers

- Amo-o tanto quanto o odeio.

- Isso deve tornar os teus dias interessantes, deves passar metade do teu tempo acordada a pensares em mil maneiras de destruíres e a outra metade em mil maneiras de lhe agradares.

- Eu não lhe quero mal, só o quero mais que tudo. – Vestia agora a sua lingerie preta que lhe assentava especialmente bem naquela rabo redondo e rijo de miúda.

- É um gajo de sorte – Acabou de se vestir e procurava os sapatos debaixo da cama, de joelhos junto ao chão. Sentiu ela a chegar perto da sua cara, já com saltos altos de 10cm que ainda lhe torneavam mais as pernas. Olhou para cima e viu aquelas pernas que pareciam leite mas sabiam a mel e o pequeno fio dental que lhe tapa o pequeno tufo bem depilado que começava um dedo acima do clítoris. É uma imagem que lhe fez arrepiar os pelos da nuca.

- Eu tenho azar por ama-lo. Mas o destino não se pode combater…E acabas te por não me responder: ama-la?

Levantou-se e encarou-a olhos nos olhos, com aqueles saltos estava da sua altura.

- Sim.

Ela beijou-o com suavidade nos lábios e depois no pescoço.

- Mas voltas para mim?

Ele retribui o beijo, abraçou-a puxando-a para ele e olhou-a fundo naqueles olhos castanho claros cuja cor parecia suspensa, flutuante, no seu meio.

- Sim, volto. Estarei contigo sempre que puder.

Largou-a, pegou no casaco e saiu sem mais uma sílaba.

Ela pegou no vestido e vestiu sem mais demoras, insatisfeita com a resposta como só uma mulher que ama e se sujeita a cama roubada de um quarto de hotel se sente quando o “homem da sua vida” sai do pé de si para ir ter com a “mulher da vida dele”


Banda Sonora

Ada, The National

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

My life, if I had one...

Não foi por ter casado que fiquei sem vida.
Fiquei sem vida por tudo aquilo que não fiz nos longos anos que não foi casado. A correlação não é óbvia mas é factual.

Sendo eu um tipo digno das "novas oportunidades", decidi acabar a porra do meu curso, mal sabendo que Bolonha não era só uma forma de fazer molho de carne, mas um tormento burocrático, como tudo pós PREC, uma reminiscência do comunismo, essa bela merda que matou mais gente que a 2ª WW, mas que ainda hoje tem direito a fim de semana na bela quinta da Atalaia. Paredes meias com um dos bairros mais lixados do pais.
A ironia é tocante.
Basicamente tenho um porradão de cadeira para tirar o garboso curso de Economia, um ferruculo no meu CV que vêm desde o século passado.

Ok, o meu QI deixa um pouco a desejar, mas já devia ter feito o suficiente para ter o grau de licenciado, por favor não confundir com Dr, isso é muito mais dificl que a merda de 3, 4 ou 12 anos na faculdade.

Isso não seria muito mau caso a minha mulher fosse rica ou tivesse um emprego remunerado como eu acho que mereço, mas como sempre, a excelência não é compensada e eu contribuou com o meu trabalho mal amanhado e mal remunerado num pais em recessão.
Pareço o Tom Joad? Talvez, mas as minhas vinhas já não têm ira, só uma enorme capcidade e compreensão.

E viva os comprimidos!

P.S. a minha psiquiatra acha-me estranho. Eu acho a sexy por que sou um carente que adora mulheres que lhe prestão atenção. Isto tá cada ves mais grave...


Banda Sonora
Obstacle #1, Interpol