- Tu não a amas, pois não? – Perguntava quase soluçando um choro infantil e incontido como um bebé cuja mãe o entregou a primeira vez no infantário
Ele levantou os olhos do molho de roupa na cadeira que se preparava para vestir e olhou para o seu corpo pequeno, branco e nu, à sua frente. Já não sentia um especial interesse por ela, estava satisfeito, mas sentia sempre que ela era uma irlandesa de um livro de Jane Austen, cor de leite, ruiva e bonitinha.
- Amo quem? – Acabou por responder voltando os olhos para a roupa - onde é que anda a porra da camisa - esperando que ela encetasse a conversa, afinal à coisas das quais é impossível escapar por isso mais vale acabar com isso de uma vez.
- Ela, a mulher da tua vida! – Só por uma questão de educação e contenção é que não cuspiu para o chão no fim da frase, tal é o desprezo que sente por “ela”
- Se fosse o homem da tua vida, não o amavas? – Responder uma pergunta com outra é uma boa forma de ganhar tempo para se encontrar os boxers
- Amo-o tanto quanto o odeio.
- Isso deve tornar os teus dias interessantes, deves passar metade do teu tempo acordada a pensares em mil maneiras de destruíres e a outra metade em mil maneiras de lhe agradares.
- Eu não lhe quero mal, só o quero mais que tudo. – Vestia agora a sua lingerie preta que lhe assentava especialmente bem naquela rabo redondo e rijo de miúda.
- É um gajo de sorte – Acabou de se vestir e procurava os sapatos debaixo da cama, de joelhos junto ao chão. Sentiu ela a chegar perto da sua cara, já com saltos altos de 10cm que ainda lhe torneavam mais as pernas. Olhou para cima e viu aquelas pernas que pareciam leite mas sabiam a mel e o pequeno fio dental que lhe tapa o pequeno tufo bem depilado que começava um dedo acima do clítoris. É uma imagem que lhe fez arrepiar os pelos da nuca.
- Eu tenho azar por ama-lo. Mas o destino não se pode combater…E acabas te por não me responder: ama-la?
Levantou-se e encarou-a olhos nos olhos, com aqueles saltos estava da sua altura.
- Sim.
Ela beijou-o com suavidade nos lábios e depois no pescoço.
- Mas voltas para mim?
Ele retribui o beijo, abraçou-a puxando-a para ele e olhou-a fundo naqueles olhos castanho claros cuja cor parecia suspensa, flutuante, no seu meio.
- Sim, volto. Estarei contigo sempre que puder.
Largou-a, pegou no casaco e saiu sem mais uma sílaba.
Ela pegou no vestido e vestiu sem mais demoras, insatisfeita com a resposta como só uma mulher que ama e se sujeita a cama roubada de um quarto de hotel se sente quando o “homem da sua vida” sai do pé de si para ir ter com a “mulher da vida dele”
Banda Sonora
Ada, The National
