Sexta-feira, Maio 30, 2008

Que tipo de flor és?

Por que tudo volta ao mesmo ponto como se andasse num perpétuo circulo?
Por que o que me fascina é sempre os mesmos batidos calços de calçada, pisados e repisados, mas para mim sempre com algo sobre o que me interessar?
Por que ainda penso no meu passado e o descrevo com puro fascínio?
Por que acho que o meu lugar ao sol é sou um interregno entre dilúvios e nada me demove deste fascínio mórbido pelo abismo?
Por que seria capaz de diz ao pormenor a cor de todos os olhos das mulheres que amei e mesmo assim achar que poderia ainda despender uma enciclopédia sobre cada pupila, cada pestanejar, cada profundidade variável com os seus humores?
Por que acho que sou feliz com minutos contados e mesmo que o tempo parasse, sentiria cada segundo a passar?
Por que me lembro de todos os pormenores de uma miúda com quem tomei um café vai para 3 anos, da sua roupa, sorriso, olhos, cheiro e voz? Um café improvável e temerário e até hoje acalento estas memórias?
Por que volto, como uma bússola, para o mesmo sitio magnético dentro de mim.
Por procuro sempre cada migalha na teia dos meus sentidos e faço um caminho sempre pelas mesmas vielas do meu pensamento?
Por escreveria todos os dias, anos, sobre os mesmos assuntos sem achar que me repetia?

Por que sou uma flor de obsessão
(expressão escandalosamente, mas com reverência, roubada de Nelson Rodrigues)


Banda Sonora
She lost control, Joy Division

Sexta-feira, Maio 23, 2008

Milão, 17:24

Fade in

Aeroporto de Malpenza, avião atrasado 40m, cansaço de um ligeiro jet lag e de um dia de reunião cujas consequências são, a esta altura, difíceis de entender.
Arranjo um sítio para me sentar longe do resto da maralha que entope a free shop e a zona de alimentação, ponho os pés sobre a mala e puxo do leitor de Mp3.
Coloco os fones e carrego play.
À minha frente, uma janela de 4 metros sobre a pista onde vários aviões estão parados, deixa-me ver o céu cinzento se olhar para cima.
Daqui a pouco, vou vê-lo se olhar para baixo.
E há qualquer coisa de especial em ver um por do sol a 11 mil metros, o circulo laranja afunda-se nas nuvens que parecem um mar de algodão.
Só preciso de esperar mais um bocado para sentir me a caminho de casa.

E então, para me aliviar a ansiedade, a música puxa-me para o meu blog.

Fade out

Banda Sonora
Evil, Interpol

Quinta-feira, Maio 15, 2008

O que me custa é a felicidade

Sou um ignóbil, um invejoso, um trate, um monstro.

Começou com um telefonema banal e acabou num banho de sangue, com o meu peito aberto com dois dedos de ferida no coração, espetado como um novilho de morte, bufando e odiando, enquanto golfadas saltam espirram para o ar da ferida aberta.
Ferida aberta feita pela felicidade!

Queria que me dissesse em voz trémula que estavas triste, só, desanimada, carente como um cachorro de rua, sem Norte, sem cama, sem vida, sem futuro. Que o ano te foi maldito, que a vida parou e emperrou, que não sabias o que era a luz do sol, que não pousasses no cimo do seu cavalo de felicidade, que tivesse vergonha de mostrar a vida corre bem, que mentisse, se fosse preciso.
Para eu te animar com um condescendente “com o tempo tudo melhora”, um simpático “vais ver que é só uma fase”, um distante “ se precisares de alguma coisa”.
E nos despedirmos com um “até à próxima”, tu com a voz ainda trémula mas mais confiante e eu com a ênfase da caridade dos reis.
Isto num mísero telefonema que se não se repetirá por meses.

Era assim que na minha cabeça correria o telefonema banal de ontem, hoje, sempre.
Tudo isto para me sentir melhor que tu, como se fosses o meu barómetro de satisfação.

Tudo isto para sentir esse mesquinho prazer


Banda Sonora
I can’t touch you any more, The Magnetic Fields

Quarta-feira, Maio 14, 2008

Um dos melhores textos que li nos ultimos tempos

Este gajo é do caraças!


Banda Sonora
Simpaty for the devil, The Rolling Stones

Domingo, Maio 11, 2008

Buzzy bee

Finalmente estou a fazer o que gosto.

Um ano e tal depois, estou a encarrilhar a carreira, a vida.
Uma pessoa apostou em mim e até agora e não se arrependeu.
Terá tempo para isso...

Mas como tudo o que começa, estou atulhado em trabalho, relatórios, reuniões, chatices e afins.
E feliz.
Estranho, não?

Nunca niguem disse que eu era normal...


Banda Sonora
Sound Team, Born to please