Sexta-feira, Setembro 30, 2005

Dream #1

Ontem sonhei que era baixista numa banda de tipos que conheço em contextos diferentes, e tocávamos de fato e gravata. Pior que eu não saber tocar mais nada que campainhas é o facto de estar a tocar num coreto à noite com todos os conhecidos a ouvir a minha banda e ver-me de fato. Não sei o que é seria mais estranho para eles.
No sonho também sonhei que estava na praia que ficava pegada ao meu prédio e na parte de baixo tinha um café que fazia bifanas, talvez a melhores do bairro, mas sabiam a carne mais que cozinhada em carcaça mole. A minha casa não é na praia e não como bifanas desde que ainda tinha pêra, mais, quem é que sonha que um prédio de 4 andares se sustentaria num duna primária e tem um tasco que faz bifanas em baixo autorizado pela associação de moradores? Os meu sonhos não respeitam a lei. Provavelmente são presidente de câmara.
Sonhei que escrevi um post brilhante, com enredo e humor, mas fiquei com a sensação que não me ia lembrar sobre o que era e nunca o publicaria.
E o sonho tournou-se realidade.

Da próxima vez que sonhar com uma banda, vou tentar não cantar enquanto durmo.
As reclamações do dia seguinte sobre a minha bela voz às quatro e meia da manhã são mordazes e cínicas.


Banda Sonora
Bullets, Editors

Terça-feira, Setembro 27, 2005

O Conselho de Administração informa as alterações aos estatutos

Primeiramente, as mudanças na gestão deste tasco:

O Mail de Terapia: o mail para onde costumam mandar as ameaças, provocações, insultos, fotos de mulheres nuas (nunca tantas quanto as desejadas), fotos próprias de senhoras que dizem ser leitoras do blog e que brincam com massajadores faciais, pedidos de madeixas de cabelo para rituais voodoo, pedidos de receitas de bolo de coco, chain letters sobre o pobre órfão no Uzbequistão que ficou sem pernas, braços, família, cão e que tudo o que precisa é que se reencaminhe o mail para todas os amigos e conhecidos, fotos fofas de gatinhos, fotos fofas dos donos dos gatinhos (perturbantes) e fotos minhas de tanga ou menos foi alterado para blogdeterapia@gmail.com
Sempre disponivel para receber mail amigo, agora com 2 gigas. Dá para muita fruta.

Comentários: Por princípio (ou falta dele) vão se manter possíveis os comentários anónimos, só que agora têm de copiar as letrinhas para poderem partilhar com o resto da população as vossas pérolas de sabedoria nos comentários do berloque.
Por quê, perguntam vocês.
Simples, estou farto de publicidade gratuita a noivas russas e produtos para aumento do pénis.
Sobre a primeira ainda fiquei na dúvida se não devia “comprar” uma jovem de menos de 20 anos, de preferência ex-contorcionista, para estabilizar a minha libidinosa e pecadora vida privada, mas depois de muito reflectir cheguei à conclusão que se por um lado, não falarmos a mesma língua tinha a vantagem da ignorância, por outro é mais que provável que qualquer mulher de leste defenda o 3-5-2, modelo de jogo típico da ex-URSS e sendo eu um profundo admirador do 4-4-2 em losango, tornaria a nossa relação impossível. Quem não partilha o mesmo sistema táctico não pode partilhar cama e partir pão.
É a lei da vida.
No que toca ao aumento de pénis, se eu descubro quem foi a infeliz, dama de rua, filha de mil pais, frigida desculpa para “mulher”, que andou a espalhar indecorosas e totalmente falsas informações sobre a minha masculinidade, prepare-se para um processo por difamação até às ultimas consequências, por que sou um tipo mesquinho, rancoroso e vingativo.
E o meu advogado é lixado!

Segundamente, alterações à ideologia editorial:

A minha vida é uma seca.
É complicado ter tema de post que não me deixe enfastiado ou deprimido com o que (não) se passa no meu dia a dia.
Por isso, provavelmente apareceram mais post’s relacionados com política, futebol e curiosidades (como o facto de ter pelos nas costas todas mas não no peito, para mim, é no mínimo curioso), artigos de opinião gratuita sobre arte, cinema, normal e X rated, jogos de matraquilhos e concursos de beber imperiais de penalty.

Já foi pedido um subsidio para falta de talento e de inspiração, espero resposta em breve.
Tenho fé nisso, se “Branca de Neve” teve e o Manuel de Oliveira ainda têm acesso ao dinheiro publico para fazerem aquelas merdas, alimento enormes esperanças de produzir treta e ser pago para isso!


Banda Sonora
Hard to beat, Hard-Fi

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

Sexta-feira

Que coisa mais sexy, “sexta-feira”

Só poderia ser ainda mais sexy se se visse tatuado no fim das costas da Isabel Figueira, por cima das suas lindas nádegas.

Deitada na minha cama


Banda Sonora
My door Bell, White Stripes

C.F. Os Belenenses

23/09/1919 - Ad Eternum




Banda Sonora
Hino do Belenenses

Quarta-feira, Setembro 21, 2005

Parece que há um esgoto sem fim

Uma vez mais, a televisão indígena.

A duvida assalta-me: quem é que sabe ao certo de onde vem o famoso “share” dos programas?
Não, a sério, onde é contabilizado quem está a ver o quê a que horas?
Quem faz o censos? A quem pergunta? Há mesmo quem ligue para a casa das pessoas e diga “Muito boa noite, chamo-me Tony Silva e estou a fazer uma sondagem sobre hábitos televisivos. São exactamente 19.22m, que programa vê agora? Neste instante? Rápido, responda!” e uma voz do outro lado guincha” Ò homem cale-se que estou a perder as pérolas de sabedoria dos Morangos!!” e desliga. O bom do “técnico de sondagens" faz mais uma cruz no campo do programa e abana pesarosamente a cabeça, sentido-se como ao profeta que tem em primeira mão a confirmação que esta sociedade vai mais rapidamente para o abismo que Sodoma e Gomorra.
Mas sem se divertirem tanto, claro.

Pelo meus parcos conhecimentos de tecnologia televisiva, tenho a noção que o aparelho convencionado como “televisão” é um mero receptor unilateral, não um emissor, logo, como é que fazem a contagem de quem está a ver o quê quando se não for por sondagem directa?
Foi ventilado que estão instalados “aparelhos” que fazem essa leitura em determinadas “habitações” e que fazem essa estatistica.
O.k., vou supor que é assim, visto que não sou uma delas nem nunca conheci alguém que tivesse esse poder. Sim, nas mãos erradas, é um poder assustador.
Quem são essas pessoas? Quais foram os dados demográficos que usaram para as seleccionar?
Consideraram o nível de escolaridade ou ainda melhor, quantos livros leram? Estão divididos por áreas geográficas ou centrados? Estão estratificados por rendimentos e qualidade de vida ou foi quem aceitou ser testado para bem do share? Foi oferecido no super quando comprou um pacote de detergente para a maquina ou informado e explicado ao ser instalado na habitação da pessoa escolhida para a amostra?
Quem raio são esses gajos que decidem qual é o share?

Se existem, gostava de lhes perguntar se precisamos de mais programas acéfalos como “a tropa macaca” ou “eu hoje sou traveca mas é na boa e ninguém desconfia que o que eu gosto mesmo é de usar lingerie feminina”?
Será que precisamos de um programa de 2 horas de situações batidas e humor de casa de banho, maus momentos e de uma bichice incontrolável, de um tipo que antes de ser loiro e ter de dar ao pedal todas as semanas num programa ao vivo num formato batido, ultrapassado e explorado até à náusea, era o tipo com mais piada em Portugal? Só quem tem RTP Memoria é que ainda consegue apanhar os grandes sketchs dele nos idos anos d'Oiro.
Precisamos de ouvir piadas com 35 anos em formato “novo e fixe” em algo tão nauseabundamente imbecil como os “Batanetes”? Aposto que escreve para lá nem assina os textos.
A vergonha é um sentimento lixado.

Se precisamos de ter filmes como o “Lost in translation” (que me recuso a traduzir) a passar depois da meia noite por que o tempo de ”air pimba” ainda não atingiu o índice de estupidificação necessário para um domingo à noite?
Gostava que me explicassem por que acham que uns diálogos e situações copiadas, pior que isso é que são mal copiadas, de telenovelas já de si pouco evoluídas e interpretadas por uns miúdos, todos muitos giros e telegénicos que deixariam em lagrimas qualquer director de casting que tivesse de escolher actores e não modelos, são o ex-libris da televisão autóctone?
Lamento, mas morangos só ao natural e nunca num écran.
Prefiro numa taça, se tanto, num pires.

E que raio de coisa é que se passa com o canal do estado, aquele que sorve grande parte do nossos imposto para a televisão, que tem uma replica da “praça da alegria à noite” e deixa programas como “7 palmos de terra” ou “Os sopranos” para a 2 (que felizmente ainda vai passando algo do bom que se faz lá fora e às vezes, poucas, cá dentro). Se calhar eu é que tive azar e numa das 3 vezes por semana que sintonizo o canal 1, que não é para ver as noticias, calhou-me sempre algo que me pareceu a mistura entre “jogos sem fronteiras” e aquelas estupadas italianas com apresentadoras boas e convidados péssimos.
E quem raio acredita que aquela porcaria de outro brasileiro que descobriu Portugal (parece que tudo o que é rejeitado por lá arranja tacho por cá, vide Frota, Scolari e todas a bandas merdosas de musica brasileira que à cadencia de uma epidemia invadem o éter com a sua musica), é real? Fiel ou infiel é o Jerry Springer, mas ainda pior. Sim, também não acreditei que fosse possível. Claro que, se acreditaram que aquele casal era constituído por uma lésbica que se passava por homem e um transsexual que era amante do pai dela, fico feliz por saber que terão um órgão vital a menos com que se preocuparem por que de “morte cerebral” já ninguém vos livra.

Não consigo perceber se não gosto do que a televisão publica em Portugal passa como “programação” ou se não gosto do que a “maioria” dos espectadores escolhe, esse acto banalizado e aparentemente inocente, para entretenimento ou vegetatividade.

Somos responsáveis pelos nossos actos e pelas nossas escolhas, por isso, como comunidade, temos a televisão que escolhemos.
No que concerne à televisão, e só mesmo à televisão, estou de consciência tranquila.

Agradeço todos os dias ter televisão por cabo.
E com Sport Tv.


Banda Sonora
Sympathy for the devil, Rolling Stones (versão original)

Terça-feira, Setembro 20, 2005

Perigo intrínseco

O mau estar de estômago já tem uma razão, além daquele churrasco de domingo que acabou às dez da noite, para me ter atormentado o dia de ontem: uma infecção no meu organismo de origem localizada.
Um pequeno mas chato quisto decidiu aparecer num dos meus musculados e machos glúteos, tirando todo o gozo ao acto de sentar descansadamente enquanto “produzo”.
Apesar de não ser impeditivo dos mais básicos movimentos, andar, conduzir, pedir uma imperial, é incomodativo e doloroso.

Os meus colegas já me brindaram com o seu sentido de humor requintado fazendo alusões ao Esquadrão G e bater uma perninha no parque Eduardo VII, provando uma vez mais que são umas antas misóginas com complexos homofóbicos que secretamente desejam descobrir o seu lado feminino. À bruta.
No fundo, funcionários públicos no pleno gozo dos seus direitos.

Vingar-me-ei com a subtileza de uma cobra e a raiva de um hamster doido, o seu sofrimento será longo e pesaroso.
Tenham pena daquelas pobres almas.
Afinal, são funcionários públicos, o inferno dos imbecis e tecnocratas (perdoem me o pleonasmo) os aguarda para todo o sempre.

Os planos da minha vingança já estão em marcha, mas lenta, por que andar com isto a doer e um penso cuja fita adesiva está presa ao meu peludo rabo, não ajudam nada ao movimento de anca.

Sem essa conotação sexual, por favor crianças, comportem-se por que há maldições e vendetas de sobra para todos.


Banda Sonora
I got id, Pearl Jam

Segunda-feira, Setembro 19, 2005

Estômago

Só considero dois tipos de dores
As minhas e as dos outros

As minhas não suporto, as dos outros, não aturo


Banda Sonora
Wake up, Arcade Fire

Sexta-feira, Setembro 16, 2005

Contabilidade da semana

Nas minhas longas investidas na blogoesfera e net em geral, descobri ou passei a acompanhar alguns blogs, que digo com toda a convicção, são como o funk, mesmo bons.
São bem escritos, têm humor, são regularmente actualizados e muitos têm bonecos.
O que ajuda a que eu perceba o que lá se passa, como em “Anita vai às compras”.

Tão irresistível com aquele copo de Bushmils com 2 pedras de gelo num balcão de um bar ou uma peça de lingerie diminuta que se torna visível quando aquela loira que tem ar de quem adora a “flor de lotus” se dobra, actualizei a minha lista de ansiotropicos de eleição (a.k.a. bedrloques que leio com frequência durante o tédio laboral, perdoem-me o pleonasmo) com estas novas receitas para a ansiedade e depressão.
Ordens do médico.

Esta longa e árdua pesquisa “do que é que anda prái que se aproveite” foi uma demanda que me debilitou por horas ao pc e que também exigiu muito do meu tempo.
Com isso, torna-se difícil de justificar por que me irão pagar esta semana.
Tão difícil como eu justificar o que entendo por “trabalho” e a forma como pode ser contabilizado.

Para bem da minha consciência, deveria devolver algum do meu parco ordenado no fim do mês a quem me paga, a titulo de “devoluções de parte de honorários por inércia, uso de recursos por motivos de lazer e pessoais bem como muitos megas de downloads de imagens e afins de conteúdos para adultos ou para putos que acedem à net sem supervisão paternal”

Para bem das minhas dividas, confirmo, uma vez mais, que não sou um tipo assim tão honesto


Banda Sonora
Breackdown, Handsome Boy Modeling School feat Jack Johnson

Quinta-feira, Setembro 15, 2005

Nocturno

Sonhei com cabelos castanhos, olhos meigos e de pálido azul
Sonhei com voz profunda, cheiro acre e tacto suave
Sonhei com corpo pequeno, bonito coberto e firme despido
Sonhei com diálogos ao ouvido, toques de mãos e risos contidos
Sonhei com corpos entrelaçados, firmemente colados e beijos trocados
Sonhei com lusco-fusco, meia luz à meia noite

Sussurrou uma voz que nunca tinha ouvido
Acariciei um corpo que nunca tinha tocado
Bebi de um olhar que nunca vi
Saboreei uma pele que nunca beijei
Tive um corpo que nunca senti
Fui cúmplice de quem nunca conheci


Banda Sonora
Lonely, Mishka

Quarta-feira, Setembro 14, 2005

I saw the light

A luz no fundo do túnel, afinal, é um comboio


Banda Sonora
Camera, The Editors

Terça-feira, Setembro 13, 2005

Gigolô Lunch

No tasco onde costumo almoçar, estranhamente, só haviam mulheres com mais de 35 anos e todas sem companhia masculina.
Na verdade, tirando o empregado, era o único representante do cromossoma Y.

Ao levantar-me, parei e percebi que grande parte dos olhos estavam agarrados ao meu traseiro. Os outros iam para o resto deste modesto corpinho.
Senti-me um gigolô, ali parado, em pose nada estudada para deleite e uso das senhoras, um objecto a seu belo prazer.

Yeap, adorei o felling


Banda Sonora
Coldbloded all times, Smog

Segunda-feira, Setembro 12, 2005

Terapia? Sim, por favor

A busca por conhecimento e espiritualidade pode ser um caminho tortuoso e pouco rentável para quem não tem grandes fontes de income alternativos como casas alugadas, fortuna no banco a render juros, import-export de carne branca ou trafico em geral.
Como não me enquadro nessa moldura, a minha licença sabática para conhecer melhor o Eu apenas me deixou mais ansioso e preocupado, ao ponto de me ter barricado na casa de banho com medo do mundo lá fora. Mesmo que o “lá fora” fosse um corredor sem qualquer interesse malévolo na minha pessoa.
Se aliarmos a isso uma predisposição depressiva e uma data de chatices, a conclusão é que a terapia veio para ficar e que os meus fracos recursos económicos iram ser canalizados, em grande parte, para pagar ao terapeuta.

Não que ele mereça de facto o dinheiro gasto mas o tipo é barato por que , vejamos, roça a incompetência estadual e o seu diploma diz Universidade de Malta, que juro, acho que vi à venda num mail de spam que recebi há um tempo.
É o que se consegue pagar e mais vale isso que nada.
Mas posso estar errado neste ponto.

Na minha busca das eternas perguntas que perseguem a humanidade desde a sua génese “Quem sou? Para onde vou? Qual é o sentido da vida? Por que é que não vão chatear outro em vez de me estarem sempre a lixar os cornos? Será que verei o Belém campeão? Toca me sempre a fava ou é a mania da perseguição? A gaja boa do outro lado do balcão está a olhar para mim ou é outra vez aquela estrábica que não me passa cartão?”, acabei por aceitar que não posso mudar o mundo sozinho.
Nem tão pouco o móvel da sala que pesa como tudo e que já me faz confusão naquele lugar mas o máximo que consegui foi dar cabo das costas a tentar meter aquela porcaria 2 metros para Oeste.
Ou mudar a minha vida.

Preciso de apoio profissional. Como não tenho dinheiro para isso, resignei-me em voltar ao velho sofá (“velho” não é uma força de expressão, acho que foi açabarcado de um qualquer centro de acolhimento pelo cheiro e pelas manchas que recuso-me a imaginar do que poderão ter sido ou as doenças nelas inertes, como a peste bubónica, influensa ou ébola) e continuar com as consultas no meu velho terapeuta (terapeuta é um eufemismo para o que este gajo diz que faz da vida, acho que teria uma profissão mais honrosa se fosse chulo) :

- Ora viva. Há muito que não parecia por aqui, caríssimo. Veio buscar mais medicação? Já sabe, são 20€ à receita, no máximo de 4 medicamentos....
- Viva, soutor, não, vim mesmo à consulta.
- Ah! Pois, tem razão! Desculpe, mas a minha secretária foi se embora à uns dias por qualquer coisas relacionada com uns 5 meses em atraso e por coincidência, recebi uma carta do tribunal como arguido em processo de falta de pagamento...- pára a sua retórica e faz um ar confuso e pensador, como tentado fazer uma ligação entre os dois assuntos, mas não percebendo os pontos em comum – mas aquilo da receita mantém-se, se quiser.
- Pois. Vamos à consulta? Como pago à hora, prefiro aproveitar isso para falar de mim, se não se importar.
- Claro, claro...se faz questão. Tem ai o sofá, ponha-se confortável que vou buscar o meu bloco de apontamentos. E vá falando do que o apoquenta
- Obrigado. Bom...tenho me sentido um pouco em baixo, sem grande vontade de escrever ou de estar, com uma sensação de vazio, maus pressentimentos e alguma depressão...
- Sim, sim, estou a ouvir..- um som de algo a ser subtilmente lambido suou de onde a voz vinha
- Hei, o que está a fazer?
- É tabaco de enrolar, juro! Aqui pode se fumar, sabe?
- Ok, sendo assim...Já agora, fumo um também.
- É, é capaz de o ajudar.
- Fumar ajuda? Não acha que os estudos que isto provoca o cancro são para levar a sério? Até vem nos maços de tabaco.
- Não, como mecanismo de apoio, para lhe dar confiança e ...- fósforo a passar na lixa e um cheiro a queimado fica no ar – uma ligação com a sua infância. Aposto que os seus pais eram fumadores.
- Eram. Mas em separado. Nunca os via fumarem juntos. Mas o que é que...Perái! Você não está a fumar tabaco, doutor!
- Calma, é para as dores espásmicas no colon. É uma nova terapia de redução para as dores que saiu nas Medical Ilustraded, à base de cananbis. Quer uma passa?
- Não! Ohe, dá para fumar para aquele lado? Eu prefiro alucinar sem apoio externo.
- Sim, tem razão. Dizia...
- Bom, não me sinto eu.
- Isso é múltipla personalidade. Avie esta receita.
- Não é nesse aspecto! É uma sensação de inércia, de mau estar psíquico. As coisas não correm tão bem como podiam, às vezes em coisas que escapam o meu controle mas que lhes atribuo culpa por as minhas escolhas no passado, outras por que não me quero esforçar, por que não tenho vontade de nada. E claro, nos azares de todos os dias que lixam a vida a qualquer um.
- É, é lixado...- som de alguém a levantar-se e caminha pelo gabinete- mas conte mais. A sua vida amorosa?
- Não vai mal. Dou-me bem com uma rapariga...
- Rapariga? Não é estranho? Conseguiu finalmente?
- Como é que disse?
- Espere...- som de folhas soltas a serem reviradas-...espere...Ah! Não, não é você que sofre de fobia a mulheres mas que no fundo é um grande mariquinhas ainda apaixonado pela mamã e com tendências homossexuais passivas. Ahahaha! Este tipo é cá um marado! – Riso alto e alternado com a falta de ar
- Pois. Não, não sou eu e preferia não saber dos seus outros pacientes, se não se importar.
- Na boa. O gajo já deixou o meu aconselhamento e não é meu cliente por que achou que não o “apoiava”. Eu disse-lhe “olhe, se gosta de Barbara Streisand, de plumas e passa o tempo todo a olhar para os homens das obras que trabalham no prédio em frente ao seu escritório, para além que nunca conseguiu tocar numa gaja, se calhar ir a bares gay era uma boa forma de levar isto para a frente. O por trás!” Ahahah! O gajo ainda me insultou de “bruto” enquanto chorava escada a baixo – Riso ainda mais alto e ataque de asma
- Eu preferia mesmo que não falasse-mos de outros casos...a hora só tem 60m e sou eu a pagar, além de que não é ético estar a espalhar essas informações dos seus pacientes.
- Tem razão...- som de gelo a bater num copo vazio- a onde é que íamos?
- O que raio está a fazer agora!!
- Hã? O quê? Isto? É só um whisky para relaxar. Quer?
- Eu não bebo antes do meio dia...
- Faz bem. Mas como ainda não me deitei e sabe, ouvir outros a reclamarem da vidinha a choramingarem os seus problemas dá cabo de um gajo por isso– Som de alguém a engolir uma data de comprimidos – preciso de um pouco disto para relaxar. É terapêutico.
- Como estava a dizer...no campo amoroso não está mal, mas de resto, sinto-me parado, sem objectivos, lixado com o mundo lá fora, com a vida a passar por mim e eu sem a agarrar. A lamentar o tempo onde não evolui, de erros do passado e situações que não superei totalmente, sonhos não realizados e mitos não combatidos, fantasmas que me perseguem e imaginava derrotados e guardados, tempo perdido e que tenho de recuperar. Sinto-me velho e cansado. Sem forças para voltar a fazer tudo o que preciso para melhorar a minha vida, como acabar o curso, fazer mais para arranjar um emprego melhor, sacrificar-me.
- Sacrificar? Não sou apologista disso! Acho que matar um galinha preta numa encruzilhada é mais que suficiente! Nada de sacrifícios humanos, por favor!
- O que raio é que você está a falar?
- Nada. Nada, esqueça...
- E além disso, acho que a vontade de escrever se foi...pelo menos, aquela vontade de partilhar e de contar. Sabe?
- Hum? Desculpe, mas táva aqui a mandar uma sms a uma amiga.
- Eu acho que vou andando...
- Posso apenas recomendar que não desista e tenha sempre abertura de mente para perceber que o caminho é mais que uns passos num sentido, é o encadear de muitas caminhadas. E nem todas são frutíferas. Dessas, aprenda a reconhecer para não as tornar a fazer. Das outras, aprenda tudo o possível para que a sua busca se torne um epopeia.
- Soutor, depois dessas palavras, só lhe posso agradecer pelo apoio e por me ouvir. Sinceramente.
- O quê? Desculpe, mas voltei a ler o meu horóscopo em voz alta?
- Eu vou mesmo andando.
- Já acabou a hora? Ok, mas olhe a receita da medicação.
- Acha que preciso?
- É melhor.
- Se acha. Mas, doutor, se quer que lhe diga, acho que você se tivesse um acompanhamento psiquiátrico não ficaria pior, sabe, muitos terapeutas o fazem.
-Ná! Não acredito nessas histórias de apoio psicológico que servem só para sacar uns euros ao pessoal, prefiro tudo old school! – Pénalti no copo de whisky seguido de riso alto e um ataque de tosse assolador – E são mais 20€ pela receita, ok?


Banda Sonora
So alive, Ryan Adams

Quinta-feira, Setembro 08, 2005

Out of Order

Vende-se
Trespassa-se
Cessação de cotas
Aceita-se permuta por torradeira que dê para tostas
Troca-se por umas imperiais

Blog momentaneamente abandonado.
Espera-se subsidio camarário para obras de recuperação
(é só um choradinho para ganhar uns trocos à conta do erário publico)


Banda Sonora
What’s my age again, Blink 182

Terça-feira, Setembro 06, 2005

O não (post)

A neura da náusea que tédio cria em mim
Retira o desejo de gerar imagens em pinceladas de palavras
Sons em onomatopeias e cheiros em hipérboles
Vontade sem ondas de revolta
Acalma se no marasmo do meio dia

Acena e sorri, acena e sorri...


Banda Sonora
Rebelion (lies), Arcade Fire

Licença de porte de arma

Se este blog fosse um cavalo já o tinha mandado abater


Banda Sonora
Distance, The Editors

Segunda-feira, Setembro 05, 2005

What da fuck?

tenho mais visitas, mas menos comentários? Estas coisas não deviam crescer na mesma proporção ou vêem ai ao engano depois é tarde?

Normalmente seria mais uma coisa para me atormentar, mas hoje já tenho azia suficiente, thank you very much


Banda Sonora
Greek song, Rufus Wainwright

Pensamento da 3ª Água de Castelo

A azia parece sempre pior à Segunda....


Banda Sonora
Lotus, REM

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

You know the felling

A inspiração não abunda mas por vezes temos pensamentos ou situações dignas de registo, que queremos que apareçam no blog.
Dissertações brilhantes que merecem post, observações fantásticas do comportamento humano, situações hilariantes do dia a dia.
Tudo isto durante o tempo em que se está longe de um pc e sem bloco de notas.
Mas registamos, arquivamos na mente e evocamos “Amanhã irei publicar uma pérola de sabedoria”.

No dia seguinte, sentados à frente do computador, abre-se o post e...nada!
Fica-se com o brilho de inteligência de uma Paris Hilton, aparenta-se a capacidade de composição escrita de um dos proverbiais macacos e as obras de Shakespear, denota-se a criatividade de um dos argumentistas dos “Morangos com Açucar”, a genialidade de uma Margarida Rebelo Pinto e a exaltação masculina de um José Castelo Branco.
Fica-se a olhar para o monitor sem que haja a menor lembrança de tanta coisa que vimos, pensamos ou argumentamos e que seria uma honra passar em forma de posta.

Pior que falta de inspiração é uma má memória

Tenho de tomar comprimidos para isso


Banda Sonora
James, Josh Rouse