Terça-feira, Maio 31, 2005

Invicto

Estive neste fim de semana no Porto.
Eu sempre gostei da cidade e das pessoas, sempre me senti bem vindo. Mas neste domingo, ainda me senti mais “portista” e bem tratado, foi um óptimo dia.

Hoje, tenho mais uma razão para gostar da Invicta.
Thanx


Banda Sonora
Familiar fellings, Moloko

Sexta-feira, Maio 27, 2005

Opinião (devidamente infundamentada)

Ao andar pela blogoesfera notei que andam ai algumas pseudo discussões sobre blogs que se tornam livros.

Os detractores, não sei se movidos por convicções maiores ou por sentimentos menores, reclamam que o blog é da blogoesfera, lá deve continuar e não em papel e a ser vendido em qualquer papelaria.
Os defensores, orgulham-se de “até já terem trocado comentários” com os autores da proeza de elevar o blog a ícone cultural, mesmo que não seja o seu próprio blog. Isso, acreditam, há de chegar.

Meus caros, se houvesse alguém tão louco ou sem apego ao dinheiro que quisesse publicar este blog, acreditem, eu vendia o de bom agrado!
Podia ser para livro, programa de rádio, ladrilhos de casa de banho, produto de higiene intima feminino, até como folhas de papel higiénico!
Eu escrevo aqui de graça, muitas vezes usando recursos que não são os meus, o que era o pior que me aconteceria se o vende-se? Ganhar dinheiro? That would be the point!

Fazer dinheiro com isto...sim, essa seria uma daquelas situações em que a realidade ultrapassaria largamente a ficção.*

De qualquer forma, a quem interessar, podem apresentar propostas para “comprar a propriedade intelectual” do gajo que aqui escreve, é só mandarem um mail com valores para o endereço ali no lado direito. Sim, é esse o lado...um bocadinho mais acima....ai mesmo.

Informo que só aceito propostas a partir de 10 euros.

Mas pode-se sempre negociar...


Banda Sonora
Come home billy bird, The Divine Comedy



* esta frase é propriedade intelectual dela. Se não o indicasse, era processado e espancado. No mínimo.

O fim. É o fim

Acredito que isto é o fim dos tempos, fui confirmar no Bom Livro e foi inequívoco.

“Vi no céu ainda outro sinal, grande e admirável: sete anjos, que tinham as sete últimas pragas; porque nelas é consumada a ira de Deus. "
Apocalipse 15.1

15 ml visitantes neste blog só pode ser um dos sinais.

Façam as suas preces e arrependei dos pecados, os portões de onde sairá a grande Besta já se mexem, o som que fazem não engana.

Ou então é da ressaca


Banda Sonora
Bizarre love triangle, New Order

Quarta-feira, Maio 25, 2005

Clue

Para alguém que gosta de riddlers, fica uma pista. Ok, para todos os que lerem isto. Sim, vocês os 4....

Os 80’s foram uma época que marcou a minha geração, principalmente a musica. Eles eram Pixies, Joy Division e posteriormente New Order, Dire Straits, Duran Duran, bandas que apareciam e marcaram o imaginário musical de todos os que viveram coincidentemente essa década, em que, em vinil e cassete, acompanharam uma pequena revolução musical que ainda hoje influência bandas como Doves, Block Party, Radio Head, Keane.

Mas é raro sair e ouvir tais sons, já não estão na moda ou são bom chamariz, afinal, o que faz uma casa é quem lá vai e como todos sabemos, muitas mulheres fazem uma óptima razão para qualquer homem sair à noite e se enfiar num local qualquer a ouvir musiquinhas que até podem não gostar.

Mas há uma excepção.

E todos adoramos excepções.

Guess where...

Banda Sonora
Girls on film, Duran Duran

Terça-feira, Maio 24, 2005

Esconder

O olhar impávido esconde a raiva
O sorriso solto esconde um nó na garganta
O andar confiante esconde um tremor nas pernas
A conversa sem grande profundidade esconde o que vai na alma
A teimosia esconde a vontade de fazer
A mentira esconde a verdade
O medo esconde a paixão

Fuma-se um cigarro e esconde-se o tempo


Banda Sonora
Bullet with butterfly wings, Smashing Pumpkins

Segunda-feira, Maio 23, 2005

No sound

- Andas calado...
- Humm, humm...
- Precisas de falar?
- Nhumm....
- Pareces aborrecido.
- Hum.
- Desabafa, faz bem...
- ...
- Vá lá, vais ver que é o que precisas.
- Nã.
- Mas o que é que tens?
- ...
- Sabes que podes me contar tudo...
- Hum, hum.
- E então, não queres dizer?
- ... E se fosses chatear outro?



Banda Sonora
Unfinished sympathy, Massive Attack

Rotina

Tenho imensas rotinas.

Lavo os dentes sempre depois do banho, só faço a barba à tarde ou noite, almoço sempre no mesmo restaurante, fumo sempre a mesma marca de tabaco, ligo os programas sempre pela mesma ordem, leio sempre os mesmos blogs primeiro, faço muitas coisas de uma forma sequencial e lógica, para mim.

São as rotinas que eu crio e mantenho que tendem a fugir ao caos do sistema administrativo central, da entropia dos pensamentos, como um fio condutor da razão, o escape à desalinhada percepção da realidade, da confusão institucional.

Uma mente problemática e deturpada precisa destas ordem para funcionar e se sentir normal, mesmo que seja por breves instantes.


Banda Sonora
If I ever fell better, Phoenix

3 coisas garantidas

É segunda-feira
A vida é injusta
Não há nada tão mau que não possa piorar


(neura)


Banda Sonora
I don’t wanna get over you, Magnetic Fields

Sexta-feira, Maio 20, 2005

Non Sense Short Story IV

Há coisas que são assim mesmo, estranhas.

Som no rádio informa que tenho de me dirigir a uma casa particular, um furto de jóias.
Faltam 2 horas para acabar o turno, mas quem sofre perdas de património não quer saber disso, quer um policia para tentar resolver a situação.
O Marques já está a caminho, vou fazer o mesmo.
Pirilampo para cima, sirene e arrancar pela avenida a todo o gás que se faz tarde.

A morada é fácil de dar, apesar de ser uma das urbanizações novas, com prédios ainda com as fachadas lavadas e janelas grandes.
Desligo a sirene, não há transito que o justifique e o barulho atormenta-me.
Um carro patrulha e o carro do Marques.
Deixo o meu em 2ª fila mas acho que não mo vão rebocar.

Olha deixa cá ver...3 andar F.
Toco. Identifico-me e a porta abre-se.
Elevadores ainda sem marcas de vandalismo, entrada do prédio sem grafittis, por vezes é bom vir-mos a sítios civilizados, mesmo que pelas razões erradas.
3º Andar.
Saiu e vejo a porta aberta com o policia de giro a guardar a entrada.
É o Migueis, um gajo porreiro.

- Sr. Inspector, como está? Sei que está quase na sua hora...
- Tás bom, Migueis? Pois é, os gajos que roubam não têm consideração por ninguém... – Disse meio a sorri.
Ele piscou-me o olho e disse:
- O Inspector Marques está muito interessado no caso. – Falava baixinho e a sorrir.
Fez me sinal para entrar.

A casa era recente, de mobiliário moderno, sem ser extravagante. Uma mesa de entrada de bom gosto, sem fotografias, um hall agradável com um cabide onde só está um casaco. De mulher.
Oiço a voz do Marques

- Então, recapitulando, foram só a caixa com as jóias, nada mais, certo?

Não ouvi resposta.
Entrei na divisão de onde vinha a voz do Marques.
Era a sala.

Ele vê-me na entrada e faz me logo sinal para me aproximar.

- Chefe, já tenho o depoimento quase todo.
- Óptimo...- Ainda não tinha visto com quem ele falava, a sala estava semi-escurecida e o sofá ficava fora do meu campo de visão. Pego nos apontamentos dele. Um nome
- Sra. Teresa Castanheiro...- Disse alto enquanto virava a cabeça para a ver.
O movimento da minha cabeça e o dela a levantar-se foram coincidentes.

Ficou de pé, em frente ao sofá.
Vejo-a.
Não teria mais que 1.65m perto dos 30, de fato saia preto com uma camisa cintada de azul pálido, cabelo apanhado atrás, castanho e sedoso, com um pau chinês, em tons de preto e vermelho.
A saia ficava acima do joelho e via-se as pernas que acabavam nuns sapatos de salto alto pretos, em bico. Era de uma beleza mediterranica típica.
Os olhos eram de cor de castanhas e quase tão grandes, límpidos, calmos.
Olhavam os meus directamente e sem hesitações.
Os lábios estavam juntos, quase como se fizesse beicinho e o nariz, bem colocado naquele rosto de maxilares altos, parecia ligeiramente arrebitado.
Por um segundo, ficamos em silêncio, olhos nos olhos.
Era eu a fazer as perguntas.

- Minha senhora, foram furtadas só as jóias?
Ela apontou para o sofá ao lado do seu e disse
- Sente-se, por favor.
- Agradeço, mas fico de pé. – Ela encolheu os ombros e sentou-se suavemente. Havia uma certa elegância naquele movimento, uma beleza na forma como dobrou as pernas e colocou as mãos no colo, deixando claro que a camisa foi comprada para se notarem as formas e não para as esconder.

Penteou com os dedos uma madeixa solta e respondeu

- Sim, foram só as jóias. Estavam numa caixa que está em... estava em cima do cómoda do meu quarto e desapareceu.
- Já falou com o seu marido?
- Vivo sozinha
- Ninguém tem mais a chave de sua casa?
- Não...Espere, têm. O meu ex companheiro, separamo-nos à cerca de dois meses e ainda tem aqui umas coisas, bem como eu em casa dele. Ainda não acertamos isso, ele tem andado ocupado...
- Muito bem. Mais alguém?
- Não.
- Tem empregada?
- Não.
- O porteiro tem chave?
- Não, como lhe disse, só há mais um duplicado, tem o meu ex companheiro.

Olhava-me nos olhos, até quando eu lia os apontamentos do Marques. Nada arrombado, casa sem ser remexida, nada destruído.

- Chefe, vou dar mais uma vista de olhos pela casa para confirmar, ok?
- Certo, Marques, mas eu agora vou ao quarto ver onde é que estava a caixa. Acompanha-me? – perguntei à mulher, que imóvel e com ar de esfinge, olhava-me.

Nem pestanejou quando o Marques falou ou quando lhe fiz a pergunta.
Sem desviar o olhar, levantou-se na minha direcção. O meu primeiro instinto foi recuar. Mas firmei os calcanhares e engoli em seco.
Ela perturba-me.
Aquele movimento aliado aos olhos de corsa provocaram-me um arrepio nas entranhas que seguiu pela espinha e bateu na nuca.
Passou ao meu lado, muito próxima, só ai perdemos o contacto visual.
E disse

- Vêm? – Sem parar ou se virar.

Segui os seus paços firmes e calmos, sem reparar em nada mais se não na linhas das costas, no ombros direitos, no rabo que abanava ao andar, no cabelo que cheirava a flores tropicais e que, preso, lhe deixava ver um pescoço lindo. Não vi o caminho ou tão pouco o resto da casa.
Os meus olhos estavam presos à sua aura.

Há coisas que são assim mesmo, estranhas.

Entrei no quarto.
A mobília era de tons castanhos, o aparador dava com a cama, de casal, e com as mesas de cabeceira. O armário era embutido na parede e havia uma segunda porta, para uma casa de banho.
Um quadro sobre a cabeceira da cama, um cabide de quarto e livros era o que preenchia o resto do quarto. O despertador digital brilhava as horas. Faltavam menos de 60m para acabar o meu turno.

- Onde estava a caixa?
- Aqui, há vista.
- Hum...mesmo à vista...Não notou nada fora do sitio? De todo?
- Não...lamento.

Olhei para ela.
Parecia resignada com a caixa e olhava para o chão como que triste por não saber mais sobre o que lhe sucedera, não poder adiantar mais dados.
No fundo, acho que pensava que aquilo não era mais que uma coisa fora do sitio, que havia de aparecer. É assim que algumas pessoas reagem à perda, com uma esperança infundada, algo a que se agarrar. Enfrentar que a sua casa, o seu castelo, fora arrombado e pilhado muda muita coisa na forma como encaramos a nossa vida, afinal, não conseguimos estar seguros em casa, onde é que poderemos estar? É um sensação avassaladora, principalmente para uma mulher que vive só.

- Inspector, o que acha que aconteceu?
- Foi alguém que a conhecia e tinha acesso à chave. Quero o nome e morada do seu ex companheiro. Ele é o principal suspeito.

Ela olhou para mim com firmeza e sorriu.
Sorriu para mim, para que os meus olhos não tivessem duvidas, que os meus pensamentos não me enganassem, para que soubesse.
Ela sorriu para me encantar.

Ficamos suspensos no olhos um do outro, tentado ver o que escondiam.
Silêncio.
Até que a voz do Marques interrompeu

- Chefe, nada de arrombamen... – Não acabou a frase. Viu-me a olha-la e o ar que fazíamos. Não nos mexemos logo, olhei para o Marques e então entreguei o bloco para ela escrever o nome e contacto do suspeito.

- Os dados, por favor.
- Com certeza.

Escreveu algo rápido e entregou-mo.

O Marques não escondia o sorrisinho trocista. Olhei o de frente e mudei a minha expressão. Fiz força na mandíbula e perguntei-lhe

- Diga, inspector?
- Nada, chefe, nada. Acho que podemos ir embora, por enquanto.
- Aqui tem – disse Teresa com o bloco em riste. Ao aproximar-se, levantou-o em direcção da minha cara, para que o visse bem, antes de o agarrar. Para além da morada e nome estava um nº de telemóvel. Com o t maiúsculo à frente.

Saímos do quarto e fiz sinal ao Migueis para ir andando, por hoje já chegava.
Ele despediu-se e saiu, deixando a porta encostada.

- Se se lembrar de mais qualquer coisa, aqui ficam os nossos cartões – Disse o Marques, acompanhando a frase com um movimento de braço, passando os nossos cartões de serviço.
Não sei se foi por amizade, cumplicidade ou apenas pena, mas o Marques fez questão de salientar
- O meu e do meu chefe, a pessoa responsável e para contacto.
- Obrigado – Respondeu Teresa conforme olhava os cartões. Colocou o meu por cima e disse, olhando para mim – Para contacto.

As despedidas foram breves e formais, com o compromisso que iríamos tentar resolver a questão tão breve quanto possível.
O Marques falava e eu chamava o elevador.
Assim que se calou, o silêncio ficou ensurdecedor.
Ela, na entrada da porta, olhava para a porta de elevador que teimava em não abrir, apanhando-me no seu campo de visão.
Finalmente aquela coisa deu sinal de vida e as portas abriram-se de par e par.

- Tranque bem a porta e um resto de boa noite, minha senhora – Disse eu
- Teresa, chame-me Teresa.

O Marques investiu elevador a dentro a tentar controlar um riso nervoso e símio. Eu entrei atrás dele.
Nada dissemos até cada um chegar ao seu carro.

- Tem uma fã, chefe. E das boas! – Não se controlou, uma sonora gargalhada ecoou na rua quase vazia.
- Vai à merda, palhaço! – Disse entre dentes, mais comprometido que irritado.

Ele continuou a rir-se muito depois de já ter entrado no carro.
Meteu a cabeça de fora e disse

- Já viu as horas? Saímos daqui a 10m.
- Pois. Amanhã tratamos do relatório e de apertar o gajo.
- Nem mais, chefe. Até amanhã! – E voltou a rir-se
- Até amanhã, anormal...- Disse, já divertido.

Entro no meu carro, faço inversão de marcha e traço o caminho mais rápido para...para...para lado nenhum.
Aquela mulher não me saiu da cabeça.
Conduz.
Ela esta envolvida numa investigação que tu estás a encarregue, há códigos de conduta a teres em conta e uma coisa chamada distancia emocional.
Aqueles olhos...
Além disso, não é bem visto um inspector andar envolvido com que conhece durante o exercício da sua profissão.
Ela...toda.
Não podes entrar numa situação dessas.
Profissionalismo, meu caro, profissionalismo.

Toca o telemóvel.
O que é que o cabrão do Marques me quer mandar à cara agora?
Não é o nº do Marques.
Nem pertence à lista de contactos, mas reconheci-o, viu à pouco tempo

- Estou...?

A chamada é breve, não há muito a dizer.
Desligo o telemóvel e dou meia volta.

Há coisas assim mesmo, estranhas.


Banda Sonora
Night time, Josh Rouse

Telenovela Mexicana – The End

Serve o presente para informar que o actor principal Marcos António, a pedido de várias famílias, foi atingido por um piano de cauda enquanto se encontrava de cabeça encostada ao balcão do bar.
Como tal, felizmente, acabou a novela.

Adoro matar as minhas personagens


Banda Sonora
Rock&Roll is death, Lenny Kravitz

Quinta-feira, Maio 19, 2005

Telenovela Mexicana, 2º Episódio

Marcos António sentado num bar, ao balcão, de olhos mareados olha para o copo de Bushmills com 2 pedras de gelo.

- Sua cachorra...! – Ruge entre dentes – Você sabia que ficaria assim, ti vendo com ele....

Ele encosta a cabeça ao balcão e espera que algo de bom o atinja

Como uma bigorna ou um piano de cauda


Banda Sonora
Evil, Interpol

Strange little man

E, claro, deu merda.


Banda Sonora
Ladys and gentlemen, American Music Club

Quarta-feira, Maio 18, 2005

To much time on my hands makes me do strange things...



Your #1 Match: INFP


The Idealist
You are creative with a great imagination, living in your own inner world.Open minded and accepting, you strive for harmony in your important relationships.It takes a long time for people to get to know you. You are hesitant to let people get close.But once you care for someone, you do everything you can to help them grow and develop.
You would make an excellent writer, psychologist, or artist.



Até testes de personalidade...

Eu devia estar a trabalhar, juro!

Banda Sonora
Midle man, Jack Johnson

Telenovela Mexicana


- Marcos António, quero ti ver hoji!
- Marinei Rosa, claro que você mi vai ver. Vamos estar na mêsma festa da revista do seu marido
- Ai, Marcos António, os dois nas mesma sala, falando...Não mi sinto bem com isso.
- Marinei Rosa, agora é que se senti mal? Depois de tudo o que fizemos? Foi você qui mi procurou, mi beijou.
- Mas, Marcos António, você sabe que ainda sinto algo por eli...
- Ahahahah! -
riso pouco convincente – O que se passou entri nóis já se previa á muito!
- Eu adoro a sua companhia, seu toque, estar consigo, Marcos António...
- Tou sabendo...
- A sério! Não sei expressar isso muito bem...
- Seus beijos são muto bons nisso, Marinei Rosa!
- Ai, Marcos António, você é um cafageste!
- É, mais você adora!
- Vêm cá, seu pirigoso...
- Sua devassa....!
- Marcos António, vou te fazer pagar por esses insultos!
- Mi agarra, mi atira ao chão, mi chama de lagartixa!!!


My life.
If I had one...


Banda Sonora
Volcano, Damien Rice

Terça-feira, Maio 17, 2005

A quem interessar (desabafo)

Por que é que, de repente, toda a gente acha que tenho poderes mediunicos e sou capaz de adivinhar o que pensam sem se expressarem?

Daaaasssssseeeee!


Banda Sonora
Guero, Beck

Ainda sobre Sábado

Pensei que não fosses ligar.
O dia passou e nada. Milhentas mensagens e telefonemas, mas não o teu.
Na minha cabeça pareceu-me óbvio, já não existia.

22h, em ponto. O jogo acabara e eu bebericava uma cerveja no sofá.
Telemóvel toca.
Olho para o visor.
Eras tu.

Levantei-me, peguei no aparelho barulhento e num cigarro.
Abri a porta e sai para a varanda.
Atendi.
A tua voz alegre do outro lado do éter soou no meu ouvido e correu livre pelo meu cérebro, dentrite em dentrite, até ao âmago da minha memória.

Tinhas esperado que acabasse o jogo, porque sabias que gosto de futebol para telefonares, que não te tinhas esquecido do dia, só não te lembravas bem era da idade.
Fizeste me sorrir, falar com vontade, ouvir com gosto.
Percebi que estavas em casa, não havia barulho em volta.
Contaste coisas sobre ti, coisas lindas da pessoa linda que és.
Fiquei admirado com a tua boa vontade, com o carinho que entregas ao que fazes.
Ris-te dos meus cabelos brancos, de saberes que já não tenho barba e de me imaginares assim, tão diferente.

Conseguia ver os teus olhos verdes, o teu cabelo loiro, o teu sorriso ao lado, que fazes quando estás contente e divertida.
Foram só 10m ao telefone.
Pareceu me muito menos que isso, mas a sensação foi continua nas horas que se seguiram.

E sonhei contigo esta noite.

Quando é que me entregas a chave dos meus sonhos?
Aquela que usas para entrares sem pedir, sem autorização, sem seres convidada, sem mácula.
Se vais ficar com ela, tens de me avisar.

Liga-me, combinamos qualquer coisa


Banda Sonora
Fist full of love, Anthony and the Johnsons

Segunda-feira, Maio 16, 2005

Explicando post abaixo...Ou pelo menos, tentando.

Coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this?
It was only a kiss
It was only a kiss

Now I'm falling asleep
And she's calling a cab
While he's having a smoke
And she's taking the drag

Now they're going to bed
And my stomach is sick
And it's all in my head
But she's touching his chest now

He takes off her dress now
Let me go
And I just can't look
It's killing me
And taking control

Jealousy
Turning saints into the sea
Turning through sick lullaby
Joking on your alibi
But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
I'm Mr. Brightside

(repeat)


(Propria Banda Sonora)

It was only a kiss

Sentados à mesa daquele restaurante vazio, conversávamos animada e cumplicemente.
Olhei para o relógio, eram 23.58m. Tu fizeste o mesmo e sorriste.
Faltavam 2 minutos.
Servi-nos de vinho e continuamos a falar.

Com braços cruzados sobre a mesa, ouvias as parvoíces que ia dizendo sem desviares o olhar do meu, sem deixares de sorri.
Olhas-te para o relógio. Eu segui-te nesse gesto.
Eram 0.02m

Como se de uma mola se tratasse, levantei-me, pus as mãos na mesa e ensaiei uma fuga com a desculpa “Com licença, vou à casa de banho”.
Tu foste mais rápida.
Agarras-te a minha mão com força e não permitiste que sai-se do meu lugar.
Fiquei de pé, meio dobrado sobre a mesa, de cara para baixo, a rir-me.
Tu apertas-te mais a minha mão e aproximas-te a tua cara da minha. Fechei os olhos e ri ainda mais alto.

Começas-te a roçar o teu rosto no meu, beijas-te me na bochecha, no maxilar, na orelha. Já não me ria. Fiz força na mandíbula e senti a tensão a crescer.
Sentia o cheiro do teu cabelo, da tua pela, toquei com o nariz no teu pescoço, roçando o resto do lado direito do meu rosto no teu.
Voltas-te a beijar-me a cara, desviando o meu cabelo com o nariz.
Aproximaste-te do meu ouvido e disseste “Parabéns, querido”.
Ainda tinha a cabeça para baixo.
Beijas-te me o canto da boca e o queixo.
Virei me para ti.
Beija-te me.

Um pequeno e fugaz beijo. Abri os olhos.
Tu estavas de olhos fechados, fazias com que nos tocássemos, cara contra cara.
Disse “Bom, tenho de ir à casa de banho...”. E voltei a sorrir
Largas-te a minha mão, por fim.
Sorris-te.

Desviei-me da mesa.
Não tive tanta sorte com as cadeiras que estavam a seguir.

Entrei na casa-de-banho.
Molhei a cara e percebi que o resto da noite seria perigosa.
Mas não fugiria. Não iria fingir que não era nada, que apesar de não ter sido planeado, foi desejado. Que te queria ter ao meu lado naquela noite e em todas as noites que te vi, que sabia que seria um erro grave mas nunca fatal, que me querias, que não te importavas com amanhã, que seria a nossa noite, que preferia fugir mas não o iria fazer, que as cosias que já andavam diferentes agora estavam irremediavelmente estranhas, que gosto do teu cheiro, que sabes que gosto dos teus olhos, que trocamos segredos por que bebemos do mesmo copo a noite toda, por que aconteça o que acontecer daqui para a frente, esta noite já está marcada e será vivida.

Voltei à mesa e vi-te a rir.
- Acho que foste à casa de banho das senhoras... – Disseste entre risos.
Olhei para trás. Ela tinha razão.
Comecei a rir com ela. Demos as mãos.

Sabia que ficou grave quando me chamas-te pelo meu nome próprio:
- A onde vamos beber um copo? Não me parece que queira ir para casa... – Ouvi isto enquanto acendia um cigarro.

Fiz contas de cabeça.
Pesei os prós e mandei à merda os contras.
A noite não podia correr mal.

It was only a kiss
How ended up like this?
It was only a kiss....


Banda Sonora
Mr. Brightside, The Killers

Domingo, Maio 15, 2005

365, 364...

Fiz 29 anos ontem
Começou a contagem decrescente para os 30

Foda-sefodasefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefodasefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefodasefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefodasefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefodasefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefodasefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-sefoda-se


Banda Sonora
He got game, Public Enemy

Sexta-feira, Maio 13, 2005

Friday fucking 13th

- Pá! É sexta-feira 13!
- É? Não é dia 12?
- Não, é mesmo sexta-feira 13!
- A sério? Olha pede-me ai um café...
- Não estás a ver o que isso representa?
- Que quero um café?
- Sexta-feira 13 sempre deram azar, sempre! O meu porquinho da Índia morreu numa sexta-feira 13, descobri que a Tina andava com outro numa sexta-feira 13, parti o carro todo ao meu pai numa sexta...
- Tu partis-te o carro todo porque ias com uma bezana capaz de deixar um cavalo em coma! Vinhas da noite e tinhas andado a aviar vodkas e malibus como se não houvesse amanhã por causa da Tina! Lembras-te?
- ...Mas era sexta-feira 13! Se não fosse, tinha me safado!
- Tu tens uma noção estranha de causa-efeito.
- A sério! Outra, a minha irmã descobriu que estava gravida a uma sexta-feira 13!
- Isso não foi bom?
- E quem era o pai? O meu genro, que casou com a minha irmã a pensar que o filho era dele, apesar do gajo ser quase transparente de tão branquinho, a minha irmã loira e o meu sobrinho é mais a puxar para o cabo-verdiano...
- Hummm...Mais qualquer coisa?
- Milhentas. Por exemplo, descobri que chumbei um ano a uma sexta-feira 13!
- Mas tu chumbas-te 5 vezes no secundário! Ser sexta-feira 13 é apenas um coincidência mais que provável!
- Não, é por ser o dia do azar!
- Só por estar aqui a ouvir-te, começo a acreditar nisso...
- Mas descobri uma mesinha da minha avó que resolve este problema. A única forma de evitarmos os maus olhados e azares é comer alho o dia todo. E afasta as bruxas!
- O cheiro a alho que aqui está não é das bifanas?
- Não sei...é?
- Tu tresandas a alho!
- E tenho uma cabeça de alho no casaco, só por causa de coisas.
- Tu és um homenzinho estranho e perturbado...Vou mudar de mesa. Se me seguires, parto te as mãozinhas!


Banda Sonora
Flake, Jack Johnson

Quinta-feira, Maio 12, 2005

Para ti, amigo de sempre

Hoje fazes a minha idade.
Mas só por uns dias, depois “fujo” outra vez e fico mais velho.
Hoje, como todos os 12 de Maio desde que me consigo lembrar, dou-te os parabéns. Eram tão impossível que não acontecesse como me esquecer do meu próprio aniversário. Acredita, do meu, eu bem tento...
És tão próximo do meu coração como um irmão.

Desde sempre que fomos diferentes.
Quando eu era calmo e estudioso, tu eras acelarado e pouco atento.
Quando eu gostava de rock, tu eras mais tecno
Quando eu me tornei um rebelde sem causa, tu tornas-te um tipo calmo e atinado.
Quando eu não tinha sorte com as mulheres, tu andas sempre com uma data delas atrás. Quando eu trocava de amores como troca de camisa, tu mantinhas e cuidavas dos teus.
Quando eu uso casacos de cabedal tu gostas de sapatos vela.
Quando casas-te eu ainda procurava (e procuro) quem me aturasse.

Tu gosta de carros e eu de futebol.
Tu querias ser piloto e eu cientista.
Tu gostas de loiras e eu de morenas.

Somos a face da mesma moeda, que nunca se podem separar.
Mesmo não estando juntos tanto como queríamos, sabes que isso não interfere na nossa amizade porque há coisas que nada consegue alterar, como a sensação de proximidade que não mudará apesar da distancia física.

Tu foste um pilar na minha vida, ainda és
E eu na tua

Somos amigos de sempre e para sempre.

Sei que não lerás isto, nem sabes que tenho um blog, mas, Pedro, o teu Grande Amigo dedica-te este post e toda a amizade que consegue albergar.


Banda Sonora
Blue Angel, Antonhy and the Jonhsons

Untitled #1

Queria que esta sensação de falha me deixa-se de pressionar o peito
Que o sono colasse à noite e a vontade ao dia
Queria que me a fome voltasse
Que a ansiedade abrandasse

Queria que as mãos batem-se com ritmo
Que não tremessem sem sentido
Queria que os olhos sossegassem
Que não estivessem órfãos de brilho

Queria um maior desígnio
Que não estivesse perdido
Queria um sussurro de contentamento
Que não soasse a lamento

Queria deixar de chorar nesta tragédia

Queria que fosse uma nova comédia


Banda Sonora
I don’t know waht I can save you from, Kings Of Convinience

Quarta-feira, Maio 11, 2005

Non Sense Short Story III

A noite é aflitiva.
Quando sabemos que grande parte dos nosso problemas acontecem depois do sol se pôr, ficamos sempre espectantes pelo amanhecer, pelo que o esgoto da noite deitou ás águas.

Mas o meu turno acabou. Apesar da cabeça latejar, o dia tinha sido merdoso e ainda não me largara.
A avenida desce-se bem a estas horas.
O Marques ao volante, de braço de fora, cigarro preso entre os lábios, vai pelo caminho do costume.
Acendo um dos meus. Abro o vidro.
A noite está quente, mesmo para a primavera. O cheiro no ar ainda é nauseabundo, como estas ruas. Tristes, escuras, moribundas de boa vontade.
A cabeça lateja ligeiramente menos.

- Estou quase a deixa-lo, chefe – Disse o Marques, de forma clara e explicita. Como um aviso, uma chamada de atenção.
- Humm, humm – Digo eu entre dentes. Chegar a casa.
Lar doce lar. Vazio e impessoal. Será que ainda tenho restos de ontem?
- Chefe?
- Diz...
- Que tal irmos tomar um copo e ver umas “meninas”? Sabe que elas adoram distintivos. Quantos mais conhecem, menos hipóteses têm de ser recambiadas! – E riu da sua própria associação de ideias entre strippers e policias.
- Ó Marques, a tua mulher e puto foram para fora e tu tás de rédea solta?
- Nada disso. Mas a esta hora, já dormem...
- Vai mas é para casa para pé deles, caga na noite!

Ele endireitou-se no banco e semi serrou os olhos

- Chefe, só por que tenho família não pense que isso o torna diferente de mim!

Respirou fundo, olhou para mim. Eu ainda estava de olhos postos na rua, através do vidro aberto da porta, que passava rapidamente à cadencia da velocidade do carro.

- Ou acha que é o único que chega a casa e fica com toda a merda de dia nos cornos? Ou pensa que vou ter com a esposa, dou-lhe um beijinho e digo – Olha, sabias que hoje dei com um cadáver de um bebé num micro ondas? Parece que o miúdo não parava de chorar e o gajo que andava a comer a mãe meteu-o lá para se calar. E vi uma miúda de 14 anos com uma agulha no braço. Se doía? Não devia. Ela estava morta. Over dose. E vendia o corpinho desde os 10 para sustentar o vicio da mãe e agora o dela. E aquele gajo que roubou e violou a vizinha de 76 anos por 23 euros. Sim, não lhe bati porque sou um bom policia!
Acha que é isto que faço, só por que tenho família?!?

E calou-se por um instante. Deixou sair o fumo do cigarro pelo nariz, como um desabafo. Voltou-se para mim outra vez.

- Sabe que quando estou a brincar com o meu puto, agarro-o com força? Sabe porquê? Por que tenho medo que lhe aconteça alguma coisa. Que o próximo cadáver de criança abandonada numa mata seja o dele! Que cada vez que investigamos um pedófilo, um pederasta, um assassino, tenho de pôr para trás que possa ser alguém tão próximo de mim como a minha mulher ou filho!

Mais uma pausa, enquanto olhava com atenção para o cruzamento

- Pois é, chefe. Estou tão só nos meus problemas quando o dia acaba como você! Não me sento sozinho à mesa a ver as noticias, mas na minha cabeça, estou tão só como você está quando olha pela janela a tentar apagar a merda que viu o dia todo!

Eu ainda não abrira a boca.
Senti que o tinha ofendido, com a minha postura de solidão, a minha superioridade moral baseada no fardo que carrego sozinho. Mas que ele também carrega sem ajuda.
Somos parceiros à quatro anos e nunca tínhamos falado nisto.
O Marques é bom tipo. Tem o coração no sitio certo.
Atitudes irreflectidas e uma verborreia de camionista quando quer, mas um bom tipo.
E um bom tipo merece sempre algo de bom no fim do dia.

- Vira ai à esquerda e depois à direita... – Disse eu enquanto desviava a cabeça do vidro da porta para o pára-brisas.

Ele fez mentalmente o percurso e sorri.

- Elefante Branco? Grande escolha, chefe!

E acelerou rua a cima como se a carga da brigada ligeira se tratasse


Banda Sonora
Run, Snow Patrol

Neura

Porra de dia!

De volta à estaca zero, sem saber bem por onde (re) começar.
E com a sensação que estou muito lúcido

Preciso de um doce para os sentidos

À falta de melhor, vou almoçar.
Só tenho pena de não gostar de coisas com açúcar se não atacava a mousse de chocolate.


Banda Sonora
Balad of cable hogg, Calexico

Terça-feira, Maio 10, 2005

Talento seria

Fazer deste blog um livro best seller em 34 países, com honras de Pulitzer, sendo posteriormente transformado numa serie de televisão com a duração da Dinastia, recebendo ao episódio.
Deixaria o meu trabalho para dar palestras, devidamente encapoçado com um gorro de ski, explicando a formula do meu sucesso e criando uma nova religião, a Terapiaologia.
Mudança de residência para Las Vegas.

Hollywood iria degladiar-se por um guião para o filme, onde, no fim, se revelaria a identidade secreta do gajo que escreve aqui. Como não poderia deixar de ser, a votação era no blog para as senhoras escolherem que gostavam que aparece-se a fazer de T?.
Pagamento de subornos aos 4 que sabem o meu segredo ou entrar em contacto com a Mafia Russa. O que fosse mais rápido e barato.

Mudava-me então para Antiqua onde contrataria mão de obra explorada para manter o blog actualizado, dentro das minhas especificações.
Contava todos os dias estar no green pelas 13h para bater umas bolas antes do almoço, porque esta vida seria muito stressante...

Por fim, lançaria o livro explicativo “ Meu Blog, Meu Império”, onde contava todos os podres deste blog e dos que acompanhei, fazendo assim um grande escareceu, ganhando publicidade gratuita e garantindo umas idas à “Oprah”.
Provavelmente também ganharia o ódio do Michel Moore, mas que se lixe.
Entrada directa para os 500 mais ricos e arranjar um bom contabilista.

Isto tudo até finais de 2007, porque me quero reformar cedo.


Post isto, verifica-se que a medicação tem de ser mudada porque as alucinações subsistem.


Banda Sonora
Cherry blossom girl, Air

Tenho cada vez menos esperança no futuro da Humanidade

Já cá vieram mais de 13 mil visitantes e os coments já passaram os 1500.
Nacionalidades, mais de 50.

Com estes sinais, não admira que as seitas do Apocalipse se propaguem como fogo em palha seca.


Banda Sonora
Mr. Brightside, The Killers

Segunda-feira, Maio 09, 2005

Impressiono-me com facilidade

Com um sorriso e um adeus de uma criança que me vê passar
Com o toque intencional disfarçado de movimento ocasional
Com as festas a um cachorro meigo que se roça nas minhas pernas
Com um sorriso cúmplice que se troca sem precisar de explicar
Com a dor de outros que nada me são
Com a ideia de ajudar por que o posso fazer
Com o segredo que não vou partilhar
Com o medo que às vezes tolda o olhar
Com uma resposta torta que não esperava
Com os amigos presentes que não me lembram os ausentes
Com uma guitarra que toca e me faz sonhar
Com uma mensagem de quem não espero
Com a mensagem que aguardo
Com atitudes que espelham o lado que não querem mostrar
Com uma frase tua, minha, dele, dela. Nossa?
Com a minha menina por que eu sou o menino dela
Com os sonhos que tenho de olhos abertos e sentidos alerta
Com todas as coisas simples que me são tão importantes

Não é fácil de perceber.
Que, debaixo da armadura couraçada e fria, os nervos sentem, o coração pulsa, as mãos tremem e a pele arrepia-se.
Debaixo dela e sem ela, sou mais humano.
Quem espera apenas ver sem observar, fica-se pelo brilho firo da veste que carrego, onde me escondo.

Só os olhos me traem.
São as única coisa que o elmo não tapa.
Mas nem todos conseguem ver mais fundo que a superfície metálica e impessoal que reveste quem dentro dela vive.


Banda Sonora
Last goodbye, Jeff Buckley

Isto anda bonito...

Acabado o fim de semana que até correu bem, têm se a sensação que alguma coisa mudou.

Não faço é a mais pequena ideia do quê


Banda Sonora
Hands upon my through, Death In Vegas

Sexta-feira, Maio 06, 2005

Conclusão pseudo religiosa

Olhando em retrospectiva, este bog é um enorme exercício de narcisismo.
Um homem com tamanho ego não passará nos portões do Céu

Por isso o Diabo bate-me à porta
Afinal, ele, o Anjo Rebelde de Deus, conhece bem os pecados dos homens.


Banda Sonora
Bandages, Hot Hot Heat

Correio dos Leitores – Estimulos

Como a grande publicação semanal, mítica na nossa praça, a “Maria”, o Blog de Terapia tem a honra de inaugurar um espaço para que os caros leitores se exporem.
Ladys, não é necessário fotografias em bikini ou menos. Mas também não serão rejeitadas.
Srs, nem pensem nisso!

Seguem se as repostas ao Estímulos que nos fazem arrepiar, pelas melhores razões:

Catwoman
ola T,a mim estimula-me sobretudo a cabeça de um homem. Se calhar quando era mais nova achava piada a uns putos irritantes e convencidos só porque eram muito giros, mas hoje em dia se há coisa que odeio são pessoas convencidas.Claro que há coisas fisicas que me atraem bastante num homem, tipo ombros...braços...olhos...cabelo, bem é melhor parar senao da-me o xitex!mas a serio, gosto de olar para a cara da pessoa que amo e agradar-me, mas acho que quanto mais conheço e me vou interessando por uma pessoa de quem goste e admire, maior sao os estímulos na minha cabeça.Nao consigo separar físico de intelecto.Claro que nunca digo nunca...mas gosto de me identificar mentalmente com a pessoa com quem (como diria uma amiga) GANGANGAN!Dá muito mais gozo.
ja agora, adoro beber cerveja da garrafa!

Bufas
Partindo do principio que estamos a falar de estimulos puramente sexuais e não intelectuais, há uma coisa que me deixaq doido, é quando uma mulher começa destraidamente a mexer no cabelo, a fazer caracois com a ponta dos dedos atrás das orelhas. É das coisas que me deixa por terra.

Lexotan
Estímulos e atropelamento criam-me imagens interessantes na mente. O resultado de alguns estímulos visuais pode, de facto, ser um descarrilar da consciência e da razão... Há olhares que são mais estimulantes que qualquer toque, gesto ou palavra.

Amie
mãos.

Jerusa
Pessoalmente...o falar das coisas já me estimula...olha que belo post para começar a manhã...já estou estimuladissima! Lolol

Patita Feia
O olhar. Definitivamente. Diz tudo sem precisar de dizer nada.O humor que revela inteligência.Sempre me apaixonei por corpos.Hoje vivo através de uma mente. A minha embrenhada na dele, tal e qual como os nossos corpos. Saiu-me o jackpot.

Papa-Figos
os cheiros !!! o q tb pode ser um turn-off, caso não agrade.Numa mulher tenho tendência para formas magras, mas redondinhas, cabelos lisos ... e a barriga ! flat claro!
enfim gostos



Mais alguém quer partilhar estimulos?
Este é o blog certo para falarem sobre isso, aproveitando o sofá do terapeuta.
Além de que dão uns post's giros à brava!


Banda Sonora
New slang, The Shins

À tua! Esta é de penalty!

O gajo faz anos!
Quer dizer, um aninho.

Bufas e o seu Muito Sobre Nada estão de parabéns!

É um dos habitues cá do tasco e por isso mesmo, eu hoje ofereço as Sagres.

Abraços azuis da cruz de cristo, meu caro amigo


Banda Sonora
Perfect day, Lou Reed

Quinta-feira, Maio 05, 2005

Regras de Atracção - Os estímulos

Os estímulos são o sal do dia a dia.
A sensação de atracção começa com algo que nos estimula a níveis hormonais e que passamos a associar a uma pessoa ou situação/factor.
Quem não associa “mamas grandes” a Pamela Andersson? Ela perdeu uma grande carreira no cinema de documentários, afinal, os seus caseiro fizeram a delicia de miúdos e graúdos.
Ou “grande rabo” a J-Lo? Mesmo que sejam como eu, desconhecem a musica mas adoram os telédiscos.
Ou a palavra bikini a uma sensação agradável de calor e mulheres a o usarem?
Lingerie à Isabel Figueira e à sensação de intimidade? De preferência, as duas no mesmo momento. (Lamentávelmente, não consegui nenhum link)
Está tudo de alguma forma associado na nossa mente.


Como freudiano, acredito que se tende a dar uma conotação sexual a muito do nosso dia a dia.
Por vezes de uma forma infantil e alarve, como quando se observa a senhora da mesa da frente no restaurante que passa o almoço a mexer continuamente na garrafa de Coca-Cola, num movimento de vai-e-vêm.
Acredito que nem se aperceba, mas não será um reflexo de frustração sexual, da necessidade de procura sensorial de algo que a sua psique sexual não deixa passar?
Ou então é apenas um reflexo condicionado por trabalhar numa tipografia e passar o dia cortar resmas de folha com um corta folhas tipo guilhotina manual, cujo movimento já lhe provocou esta doença profissional que a impede de ter o braço imóvel.

De qualquer forma, querendo ou não, somos motivados por sexo e reagimos a estímulos sensoriais.
Por exemplo, um coisa que acho sexy é ver uma mulher a beber uma cerveja ou qualquer outra bebida pela garrafa. O gesto de levar o gargalo à boca, os lábios fecharem sobre o mesmo, o movimento da boca ao passar o liquido geram me pensamentos que não são do meu interesse mencionar em voz alta.
Ou uma mulher de saias que, distraidamente, cruza as pernas para o lado deixando a nu a curva das ancas, a extensão que vai do tornozelo ao joelho, as coxas. Se forem umas pernas bonitas, o estimulo é automático. Se tiver uma pulseira no tornozelo, as coisas podem se tornar graves...
Um passar de língua pelos lábios enquanto parece estar em pensar em algo delicioso, como uma fantasia ou um gelado de cone.
Um perfume conhecido que cheira diferente numa qualquer pele e nos tira o discernimento por um breve e agradável instante.
Um decote que revela um peito firme e que sabe sempre melhor de ver quando somos apanhados de surpresa porque os nosso olhos e pensamentos são logo arrastados para aquela clivagem.
O toque numa pele que provoca um formigueiro que vai da ponta dos dedos ao baixo ventre e vice-versa.
Uns olhos que parecem quer absorver cada molécula do nosso ser e que deixaríamos que tal acontecesse de bom agrado.

Os estímulos estão em todo o lado.
Por vezes, passam nos ao largo.
Outras vezes atropelam-nos, deixando-nos estropiados com o seu efeito.

Há tanta coisa que me estimula e nem precisam de estar nuas.

E a vocês?
O que vos estimula?


Banda Sonora
I predict a riot, Kaiser Chiefs

Começo a desconfiar

Que com esta historia de blog de Terapia, estou a desenvolver uma dupla personalidade.

Como se já não tivesse problemas suficientes...


Banda Sonora
Seven nation army, White Stripes

Quarta-feira, Maio 04, 2005

Equilíbrio

O Universo é feito de ordem e caos, como as duas faces da mesma moeda, num contra balançar cósmico, eterno e intemporal.
É uma das concepções da vida, tudo tem um equilíbrio, o bem e o mal, o certo e o errado, o bom e o mau, a sorte e o azar.
Equiparam-se e assim se mantém uma ténue linha de condições tácitas que nos permite permanecer relativamente saudáveis mentalmente.

Tudo acontece por um motivo e é compensado por um evento passado ou futuro.
A lei da compensação aplicada à vivência humana
Mesmo que não percebamos no imediato, tudo fará sentido em retrospectiva.

Agora, espero que a minha sapiência me ilumine por que é que raio compenso falta de bom senso com mau feitio!


Banda Sonora
The passenger, Iggy Pop

Terça-feira, Maio 03, 2005

Os fantasmas também se materializam

Eu sabia que te ia ver.
As hipóteses eram de 1 para 2000, mas eu sabia que iria acontecer.
A hora, o local, se tudo se conjugasse, iria te ver.

Quando me recostei no banco de trás e olhei pelo vidro, casualmente, não fiquei surpreendido
Por um milésimo de segundo, ali estavas tu.
A imagem, como uma fotografia, ficou marcada na minha cabeça.
Tão calma e casualmente como olhei, desviei o olhar.
Sem dor, sem pena, sem assombro.
Apenas me recostei, uma vez mais, e continuei a olhar em frente.

Estavas de lado e vi-te por trás, mas reconheci-te.
Vi-te milhares de vezes, senti-te muitas mais.
Todos os factores convergiram para o mesmo.
Para que fosse impossível não te ver.
No ultimo segundo, de passagem, olho pela janela e vi-te .
Como eu esperava.
Como eu sabia.

Vi-te, a andares, estavas a dar um passo, calças cremes, casaco castanho, cabelo mais comprido, andavas inclinada para a frente, na mão um saco branco.
Num milésimo de segundo, a imagem ficou gravada.
Fotografada.
Sem culpa, sem remorsos, sem esperança, sem ansea, sem dor, sem pena.
Estavas ali.
Apenas isso.
E vi-te.
Simplesmente isso.

Quase um ano depois de nos termos cruzado pela ultima vez, passámos um pelo outro.
E eu não quis parar o carro, não quis chamar o teu nome, não quis falar contigo, não te quis dizer olá.
Não quis saber.
Vi-te.
Sabia que iria acontecer.
Não era impossível.
Sãos apenas coisas que nos deparamos.
Num qualquer dia.

Às vezes, tudo é assim tão simples.
Ás vezes, apenas temos medo do que nos espera e não do que acontece
Ás vezes, a antecipação do evento é pior que o próprio.
Ás vezes, só às vezes, descobrimos que dá se valor a situações que só têm razão de existir na nossa mente.

Afinal, a terapia parece estar a resultar

Só espero que esta imagem não me venha assombrar nas noites longas e escuras.



Outra história


O café há muito prometido sempre foi cumprido.
Sem esforço, combinado em espaço de minutos, aparecemos ao rendevous.
Conversa solta, simpática, conheci mais sobre ela.
Sem pressão, sem stress, duas pessoas a falar.

A tenção foi dissipada pelo cansaço, pelo à vontade.
Por acharmos que não tem nada de mal dois conhecidos tomarem café.
Porque as duvidas ficam para quem as carrega, por que nos atrasamos mutuamente, por que perdeu dezenas de transportes por que queria, por que eu não lhe disse para ir embora.
Por que me esqueci das horas e não me importei com isso.
Por que é bom trocar conversa com quem parece compreender.

Por que num dia, as coisas acontecem simplesmente

Murphy tem destas coisas.

Banda Sonora
For Nancy, Pete Yorn

Segunda-feira, Maio 02, 2005

Adivinhem

Posted by Hello


Yeap, sou o rato

Banda Sonora
Sing for absolution, Muse

Banda Desenhada "Pérolas a Porcos", Stephen Pathis

E se um dia...

Acordar meio estremunhado. Olhos inchados, boca seca, cama toda desfeita.
É domingo.

Enquanto põem os pés no chão e procura a garrafa de água, repara que na porta fechada do quarto, está um post-it.
Era capaz de jurar que quando chegou não estava nada ali.
Pior. Vive sozinho, alguém estivera naquele quarto!
E ele não se lembra de nada. Um arrepio percorre a espinha, a sensação de que algo lhe escapou, a duvida de quem escrevera aquilo.

Levanta-se, tatei-a o armário e a parede até à porta. Tira o post it e acende a luz.

“ Caro amigo

Sou o teu fígado.
A nossa relação tem se deteriorado. Principalmente eu.
Se queres que isto resulte, entre nós, procura ajuda.
Tens o nº dos Alcoólicos Anónimos na lista telefónica em cima da mesa.
Usa-o.”


As coisas estão a ficar MESMO estranhas por aqui


Banda Sonora
All my litle words, The Magnetic Fields