Olho para cima e agradeço o sol quente destes dias de Primavera
Olho para o lado e agradeço ter a janela do gabinete com vista para a porta de uma Faculdade
Banda Sonora
We havent turn arround, Gomez
Sexta-feira, Abril 29, 2005
Bloqueou
- A sério?
- Yeap
- Nada?
- Nope
- Agrafou?
- Sim
- Não anda?
- Imóvel
- Já experimentas-te...
- Já...
- ... ligares outra vez?
- A primeira coisa que fiz
- E nada?
- Nada...
- Empurrar?
- Done that...
- Não funcionou?
- Pelos visto, não.
- Ou seja, para hoje nada?
- Nada de nada
- Como é sexta, agora só segunda, não?
- Sim.
- Lixado...
- Pois.
- Pá, pronto, se não podes fazer nada...
- Não, hoje não dá para fazer nada de jeito.
- Começa a ser um hábito
- Podes crer. Sempre que bebo uns copos à noite, no outro dia não se posta nada de jeito neste blog!
Banda Sonora
Subterranean homesick blues, Bob Dylan
- Yeap
- Nada?
- Nope
- Agrafou?
- Sim
- Não anda?
- Imóvel
- Já experimentas-te...
- Já...
- ... ligares outra vez?
- A primeira coisa que fiz
- E nada?
- Nada...
- Empurrar?
- Done that...
- Não funcionou?
- Pelos visto, não.
- Ou seja, para hoje nada?
- Nada de nada
- Como é sexta, agora só segunda, não?
- Sim.
- Lixado...
- Pois.
- Pá, pronto, se não podes fazer nada...
- Não, hoje não dá para fazer nada de jeito.
- Começa a ser um hábito
- Podes crer. Sempre que bebo uns copos à noite, no outro dia não se posta nada de jeito neste blog!
Banda Sonora
Subterranean homesick blues, Bob Dylan
Quinta-feira, Abril 28, 2005
Assaltado
E de repente, a imagem, o sorriso, o flashback.
Sem um trigger, sem uma razão, apenas aparece, na minha cabeça, a fotografia. Anos depois, ela ainda lá está, bonita, sorridente.
A imagem é tão nítida que me consigo lembrar do sitio, do dia, do cheiro.
Mais um nó nos estômago, mais um desencanto, mais um lamento.
O vazio, a solidão, geram o seus próprio demónios.
Idealizamos passados imperfeitos, acreditamos em sentimentos que não existem, adoramos deuses com pés de barro.
Deixamos que a memória seja corrompida com momentos esporádicos transformados em dogmas, com saudades do que tínhamos, como a criança que parte o brinquedo, só chora por que já não o pode ter.
No fundo, não o queria.
O passado doloroso vêm ao de cima, por que como toda a merda, flutua.
Dói menos agora, mas é um passo atrás quando estamos num penhasco, agarrando a parede com as duas mãos, fugindo do chão, subindo em direcção ao céu.
Um passo em falso.
Mais uns dias maus, mais umas noites mal dormidas, mais essa sensação de vazio, que já foi maior, mas que está longe de passar.
E cai-se mais umas escarpas desta montanha que parece que não se quer deixar escalar.
Banda Sonora
Shine on, Blind Zero
Sem um trigger, sem uma razão, apenas aparece, na minha cabeça, a fotografia. Anos depois, ela ainda lá está, bonita, sorridente.
A imagem é tão nítida que me consigo lembrar do sitio, do dia, do cheiro.
Mais um nó nos estômago, mais um desencanto, mais um lamento.
O vazio, a solidão, geram o seus próprio demónios.
Idealizamos passados imperfeitos, acreditamos em sentimentos que não existem, adoramos deuses com pés de barro.
Deixamos que a memória seja corrompida com momentos esporádicos transformados em dogmas, com saudades do que tínhamos, como a criança que parte o brinquedo, só chora por que já não o pode ter.
No fundo, não o queria.
O passado doloroso vêm ao de cima, por que como toda a merda, flutua.
Dói menos agora, mas é um passo atrás quando estamos num penhasco, agarrando a parede com as duas mãos, fugindo do chão, subindo em direcção ao céu.
Um passo em falso.
Mais uns dias maus, mais umas noites mal dormidas, mais essa sensação de vazio, que já foi maior, mas que está longe de passar.
E cai-se mais umas escarpas desta montanha que parece que não se quer deixar escalar.
Banda Sonora
Shine on, Blind Zero
Quarta-feira, Abril 27, 2005
(Non Sense) Short Story II
É impossível chegar rápido a onde quer que seja a estas horas.
O transito, como um enorme verme dengoso, entope as artérias desta cidade ao ponto de elas explodirem com o cheiro a tubo de escape e barulho de motor.
A sirene azul no tejadilho é a única arma que temos para avançar mais rápido que os outros, que a contra gosto, nos vão deixando passar
- Chefe, estes gajos tão mesmo a lixar-me a paciência! – Rosnou o Marques, que como condutor era do tipo buzina-vernáculo-infracção. Tudo ao mesmo tempo.
Curva, contra curva e chegámos.
São 9.23h da manhã e ainda não tomei o pequeno almoço.
Tive o azar de estar perto e termos sido destacados para este furto. Por um lado é um alivio não haver um cadáver, por outro, a seca de ouvir um proprietário a queixar-se por que “onde é que estava a policia quando isto aconteceu?!? No antigamente era impossível alguém se roubado e etc...!” .
Roubo, um mal da humanidade pós 25 de Abril de 1974. Antes disso, devíamos viver em utopia.
O Marques para o carro à porta. Está lá um da PSP e a carrinha dos tipos da forense que tão a ver se há impressões digitais.
É uma florista de bairro. Janelas em vidro, grande para tapar a porta e a frente. As laterais estão descobertas e foi por ai que entraram. O vidro foi partido à altura do joelho, é vidro grosso e não estalou todo. Foi feito um buraco e foi por ai que se deu a introdução do infractor na loja.
- Marques, vai ver o que já foi apurado que eu dou uma vista de olhos ao buraco e à zona.
- Certo, chefe
Aproximei-me do vidro partido. O técnico forense está a tirar impressões digitais. Conseguiu três. Um polegar direito, um indicador direito e um indicador esquerdo. Todas em perfeito estado. Dentro da loja, um bloco de cimento do tamanho de um tijolo foi a arma para arrombar o vidro.
Aproximei o meu polegar do que estava no vidro e o tamanho é semelhante.
- Acha que foi um homem? – Perguntei ao técnico forense. Ele olhou para mim com uma certa inquietação.
- Não quero uma prova disso, quero que me diga se acha que foi um homem que fez isto. Além de não ser típico de mulher o furto de arrombamento, são mais dadas ao furto de ocasião ou de engano. O homem é mais dado ao uso da força e destruição de propriedade. Como vê, eu acho que foi um gajo. Alem disso, o tamanho do polegar dele é parecido com o meu, não há muitas mulheres com polegares tão grandes.
O técnico olhou para as impressões no vidro e acenou afirmativamente com a cabeça
- Isto não é uma confirmação, afinal, as impressões digitais não são distinguíveis por género, mas pelo tamanho dos dedos e forma, parece ter sido um homem.
Agradeci-lhe e entrei.
O Marques falava com a proprietária e um policia estava de plantão.
Aproximei-me e perguntei:
- Bom dia, minha Sra. O que é foi furtado?
- Olhe, ainda não tenho a certeza!
- Mas isto nem está em muito mau estado.
- Acha que um vidro partido não é me mau estado??
- Minha Sra, para um furto por arrombamento, não tem nada partido para alem do vidro. Não tem a caixa aberta ou forçada, as prateleiras estão todas em bom estado, não há nada destruído.
- Por acaso achei estranho a caixa estar como a deixei, nem foi forçada
- Está lá o dinheiro todo que a proprietária tinha deixado para pagar uma remessa que chegava hoje – informou o Marques que já tinha estado a tirar apontamentos com a dona.
- O que falta então? – Perguntei directamente
A proprietária olhou em volta , abanou a cabeça já coroada de cabelos brancos, apanhados num pequeno rabo de cavalo. Tinha perto dos 60 anos, forte e com ar de avó. Vestia uma saia com tons de verde e um casaco a condizer. A camisa era branca e com uns folhos. Parecia genuinamente confusa com aquilo tudo.
- Só faltam...até agora que eu tenha reparado...5 dúzias de rosas vermelhas.
- Desculpe, 5 dúzias de rosas vermelhas? – Perguntei, espantado.
- Sim, até agora foi o que se apurou que falta – informou o Marques, olhando concentrado para o bloco de notas, como se tivesse a confirmar que não escrevera mal.
Por uns breves segundos, ficámos os três suspensos, a olhar em volta, tentado compreender o que se teria passado naquela noite.
A dona da florista avançou para a bancada, voltou a olhar para a caixa, depois para mim e disse:
- Foi só isso mesmo. 5 dúzias de rosas vermelhas...
Tiramos os últimos dados e depoimentos, pedidos ao policia de giro que questiona-se a vizinhança se tinha visto ou ouvido algo e informamos a proprietária que seriam feitas todas as diligencias para que seja apurado quem perpetrou este delito, mas que não ficasse com muitas esperanças por que tínhamos pouco em que agarrar e o mais certo era as impressões digitais não darem nada.
Fomos para o carro. Já passava das 10.30h e o transito estava bastante menos congestionado.
Sentei-me no banco do pendura, enquanto o Marques ligava o carro.
- O que achas disto? – Perguntei ao Marques.
- Bom, o gajo arrebenta o vidro com o bloco de cimento, entra na florista, ignora a caixa e tira 5 dúzias de rosas vermelhas...
- Mobile?
- Chefe...o gajo devia estar apaixonado!
Sorri.
- Então achas que foi um gajo apaixonado...Bem visto, Marques. Olha, paramos numa pastelaria e vamos tomar o pequeno almoço. Parece-te bem?
- Óptimo, chefe, tou com dores de cabeça de tanta fome! Sabe como é que fico quando não como...
- Ainda mais simiesco que o habitual...
O Marques deu uma gargalhada com vontade. É um gajo que sabe rir dele próprio. Se não soubesse, desgraçado, já se tinha mandado para debaixo de um comboio.
- E quando chegarmos à central, passa esse processo para um daqueles sem resolução.
- Mesmo sem resposta da comparação de impressões digitais, chefe?
- Isso não deve dar em nada, mas mesmo que dê, não sou que vou prender um gajo que roubou 5 duzias de rosas por amor.
Banda Sonora
Fortune faided, Red Hot Chilly Peppers
O transito, como um enorme verme dengoso, entope as artérias desta cidade ao ponto de elas explodirem com o cheiro a tubo de escape e barulho de motor.
A sirene azul no tejadilho é a única arma que temos para avançar mais rápido que os outros, que a contra gosto, nos vão deixando passar
- Chefe, estes gajos tão mesmo a lixar-me a paciência! – Rosnou o Marques, que como condutor era do tipo buzina-vernáculo-infracção. Tudo ao mesmo tempo.
Curva, contra curva e chegámos.
São 9.23h da manhã e ainda não tomei o pequeno almoço.
Tive o azar de estar perto e termos sido destacados para este furto. Por um lado é um alivio não haver um cadáver, por outro, a seca de ouvir um proprietário a queixar-se por que “onde é que estava a policia quando isto aconteceu?!? No antigamente era impossível alguém se roubado e etc...!” .
Roubo, um mal da humanidade pós 25 de Abril de 1974. Antes disso, devíamos viver em utopia.
O Marques para o carro à porta. Está lá um da PSP e a carrinha dos tipos da forense que tão a ver se há impressões digitais.
É uma florista de bairro. Janelas em vidro, grande para tapar a porta e a frente. As laterais estão descobertas e foi por ai que entraram. O vidro foi partido à altura do joelho, é vidro grosso e não estalou todo. Foi feito um buraco e foi por ai que se deu a introdução do infractor na loja.
- Marques, vai ver o que já foi apurado que eu dou uma vista de olhos ao buraco e à zona.
- Certo, chefe
Aproximei-me do vidro partido. O técnico forense está a tirar impressões digitais. Conseguiu três. Um polegar direito, um indicador direito e um indicador esquerdo. Todas em perfeito estado. Dentro da loja, um bloco de cimento do tamanho de um tijolo foi a arma para arrombar o vidro.
Aproximei o meu polegar do que estava no vidro e o tamanho é semelhante.
- Acha que foi um homem? – Perguntei ao técnico forense. Ele olhou para mim com uma certa inquietação.
- Não quero uma prova disso, quero que me diga se acha que foi um homem que fez isto. Além de não ser típico de mulher o furto de arrombamento, são mais dadas ao furto de ocasião ou de engano. O homem é mais dado ao uso da força e destruição de propriedade. Como vê, eu acho que foi um gajo. Alem disso, o tamanho do polegar dele é parecido com o meu, não há muitas mulheres com polegares tão grandes.
O técnico olhou para as impressões no vidro e acenou afirmativamente com a cabeça
- Isto não é uma confirmação, afinal, as impressões digitais não são distinguíveis por género, mas pelo tamanho dos dedos e forma, parece ter sido um homem.
Agradeci-lhe e entrei.
O Marques falava com a proprietária e um policia estava de plantão.
Aproximei-me e perguntei:
- Bom dia, minha Sra. O que é foi furtado?
- Olhe, ainda não tenho a certeza!
- Mas isto nem está em muito mau estado.
- Acha que um vidro partido não é me mau estado??
- Minha Sra, para um furto por arrombamento, não tem nada partido para alem do vidro. Não tem a caixa aberta ou forçada, as prateleiras estão todas em bom estado, não há nada destruído.
- Por acaso achei estranho a caixa estar como a deixei, nem foi forçada
- Está lá o dinheiro todo que a proprietária tinha deixado para pagar uma remessa que chegava hoje – informou o Marques que já tinha estado a tirar apontamentos com a dona.
- O que falta então? – Perguntei directamente
A proprietária olhou em volta , abanou a cabeça já coroada de cabelos brancos, apanhados num pequeno rabo de cavalo. Tinha perto dos 60 anos, forte e com ar de avó. Vestia uma saia com tons de verde e um casaco a condizer. A camisa era branca e com uns folhos. Parecia genuinamente confusa com aquilo tudo.
- Só faltam...até agora que eu tenha reparado...5 dúzias de rosas vermelhas.
- Desculpe, 5 dúzias de rosas vermelhas? – Perguntei, espantado.
- Sim, até agora foi o que se apurou que falta – informou o Marques, olhando concentrado para o bloco de notas, como se tivesse a confirmar que não escrevera mal.
Por uns breves segundos, ficámos os três suspensos, a olhar em volta, tentado compreender o que se teria passado naquela noite.
A dona da florista avançou para a bancada, voltou a olhar para a caixa, depois para mim e disse:
- Foi só isso mesmo. 5 dúzias de rosas vermelhas...
Tiramos os últimos dados e depoimentos, pedidos ao policia de giro que questiona-se a vizinhança se tinha visto ou ouvido algo e informamos a proprietária que seriam feitas todas as diligencias para que seja apurado quem perpetrou este delito, mas que não ficasse com muitas esperanças por que tínhamos pouco em que agarrar e o mais certo era as impressões digitais não darem nada.
Fomos para o carro. Já passava das 10.30h e o transito estava bastante menos congestionado.
Sentei-me no banco do pendura, enquanto o Marques ligava o carro.
- O que achas disto? – Perguntei ao Marques.
- Bom, o gajo arrebenta o vidro com o bloco de cimento, entra na florista, ignora a caixa e tira 5 dúzias de rosas vermelhas...
- Mobile?
- Chefe...o gajo devia estar apaixonado!
Sorri.
- Então achas que foi um gajo apaixonado...Bem visto, Marques. Olha, paramos numa pastelaria e vamos tomar o pequeno almoço. Parece-te bem?
- Óptimo, chefe, tou com dores de cabeça de tanta fome! Sabe como é que fico quando não como...
- Ainda mais simiesco que o habitual...
O Marques deu uma gargalhada com vontade. É um gajo que sabe rir dele próprio. Se não soubesse, desgraçado, já se tinha mandado para debaixo de um comboio.
- E quando chegarmos à central, passa esse processo para um daqueles sem resolução.
- Mesmo sem resposta da comparação de impressões digitais, chefe?
- Isso não deve dar em nada, mas mesmo que dê, não sou que vou prender um gajo que roubou 5 duzias de rosas por amor.
Banda Sonora
Fortune faided, Red Hot Chilly Peppers
Terça-feira, Abril 26, 2005
Hoje acordei
Com vontade que o mundo tivesse girado sem mim
Com a neura limitada ao meu quarto
Com uma moinha na alma. Ai mesmo.
Com sensação que a obra não está acabada
Com o cabelo esquisito e um banho depois, está na mesma
Com a estranha sensação que me esqueci de alguma coisa
Com duvidas e sem grandes certezas
Com forças para os outros mas não para mim
Com dor de cabeça disfarçadas de sono
Com os olhos vermelhos que não se lembram de ter chorado
Com vontade de mudar tudo mas sem saber por onde começar
Com a esperança que esteja mesmo no caminho certo
Com a sensação que não há nada novo lá fora
Com a certeza que não sei tudo o que preciso
Com a duvida se amo tudo o que tenho
Com a vida presa por uma corrente de aço
Com a desilusão como sombra
Com tão pouca vontade de estar
Com a Terra redonda e eu a sentir-me quadrado
Com calma no meio da confusão
Com medo que os dias se tornem todos iguais
Com tudo para fazer
Hoje acordei, mas não queria
Banda Sonora
Feel good inc., Gorillaz
Com a neura limitada ao meu quarto
Com uma moinha na alma. Ai mesmo.
Com sensação que a obra não está acabada
Com o cabelo esquisito e um banho depois, está na mesma
Com a estranha sensação que me esqueci de alguma coisa
Com duvidas e sem grandes certezas
Com forças para os outros mas não para mim
Com dor de cabeça disfarçadas de sono
Com os olhos vermelhos que não se lembram de ter chorado
Com vontade de mudar tudo mas sem saber por onde começar
Com a esperança que esteja mesmo no caminho certo
Com a sensação que não há nada novo lá fora
Com a certeza que não sei tudo o que preciso
Com a duvida se amo tudo o que tenho
Com a vida presa por uma corrente de aço
Com a desilusão como sombra
Com tão pouca vontade de estar
Com a Terra redonda e eu a sentir-me quadrado
Com calma no meio da confusão
Com medo que os dias se tornem todos iguais
Com tudo para fazer
Hoje acordei, mas não queria
Banda Sonora
Feel good inc., Gorillaz
The Lone Gunmen
Foi como nos velhos tempos.
Os dois, a beber jolas e a palrar sobre tudo, com um sentido de humor acido e sarcástico.
Outra vez como tantas vezes, a ouvir uma banda de covers fabulosa, a pedir à rodada, a trocar bocas e comentários sobre as mulheres em volta.
A sermos outra vez a velha dupla.
Nem imaginas a falta que me faziam estas noites, amigo.
Poder falar de tormentos com o mesmo à vontade que falamos de gajas, desabafar sobre a vida com o mesmo tom de voz com que pedimos uma imperial.
Poder saber que somos diferentes como somos iguáis.
Welcome back, companheiro.
Foi uma grande noite, com copos e a velha amizade.
E gajas à volta.
E uma vez mais, fomos sozinhos para casa
Afinal, foi como nos velhos tempos
Banda Sonora
Sympathy for the devil, Rolling Stones
Os dois, a beber jolas e a palrar sobre tudo, com um sentido de humor acido e sarcástico.
Outra vez como tantas vezes, a ouvir uma banda de covers fabulosa, a pedir à rodada, a trocar bocas e comentários sobre as mulheres em volta.
A sermos outra vez a velha dupla.
Nem imaginas a falta que me faziam estas noites, amigo.
Poder falar de tormentos com o mesmo à vontade que falamos de gajas, desabafar sobre a vida com o mesmo tom de voz com que pedimos uma imperial.
Poder saber que somos diferentes como somos iguáis.
Welcome back, companheiro.
Foi uma grande noite, com copos e a velha amizade.
E gajas à volta.
E uma vez mais, fomos sozinhos para casa
Afinal, foi como nos velhos tempos
Banda Sonora
Sympathy for the devil, Rolling Stones
Quinta-feira, Abril 21, 2005
Estática ou Caminhos que não se percorrem a dois
Mesmo com os óculos escuros
A luminosidade do dia feria a vista de quem anda direcção a sul.
Descendo a rua,
O reflexo nos vidros é diferente, confuso
Alterado do que normalmente se assume que é .
Há tanta coisa que queres dizer ao tipo do outro lado do espelho.
Primeiro, que és ele.
Tão próximo de ti que és tu próprio, tão longe do que eras.
E ainda és.
O reflexo desaparece na parede crua de pedra, mas vais estar lá sempre
Perto de ti
A luz magoa a vista a quem desce para o rio
A rapariga sobe a rua, sentido contrário.
Não te vê os olhos
Tu não a vês de todo
É só estática.
Formas e cores difusas
Estranhos que se cruzam numa qualquer rua
Viste-a? Sim, vi.
Mas não me lembro dela.
Não me lembro de nada que me tivesse chamado a atenção
Só estática
Objectos têm formas cores e formas definidas
As pessoas não.
Nem todas.
São raras as que consegues (queres) ver.
São raras as ficaram marcadas na tua memória recente
Numa estrada de sentido único não há espaço para dois
Não há lugar para mais um.
Assobia para passar o tempo
Conta as árvores para matar o tempo
Sorri para estranhos
Aquelas imagens difusas, cheias de estática
Sorri para o sol
Mesmo que te magoe a vista
E segue o teu caminho
Banda Sonora
C’mere, Interpol
A luminosidade do dia feria a vista de quem anda direcção a sul.
Descendo a rua,
O reflexo nos vidros é diferente, confuso
Alterado do que normalmente se assume que é .
Há tanta coisa que queres dizer ao tipo do outro lado do espelho.
Primeiro, que és ele.
Tão próximo de ti que és tu próprio, tão longe do que eras.
E ainda és.
O reflexo desaparece na parede crua de pedra, mas vais estar lá sempre
Perto de ti
A luz magoa a vista a quem desce para o rio
A rapariga sobe a rua, sentido contrário.
Não te vê os olhos
Tu não a vês de todo
É só estática.
Formas e cores difusas
Estranhos que se cruzam numa qualquer rua
Viste-a? Sim, vi.
Mas não me lembro dela.
Não me lembro de nada que me tivesse chamado a atenção
Só estática
Objectos têm formas cores e formas definidas
As pessoas não.
Nem todas.
São raras as que consegues (queres) ver.
São raras as ficaram marcadas na tua memória recente
Numa estrada de sentido único não há espaço para dois
Não há lugar para mais um.
Assobia para passar o tempo
Conta as árvores para matar o tempo
Sorri para estranhos
Aquelas imagens difusas, cheias de estática
Sorri para o sol
Mesmo que te magoe a vista
E segue o teu caminho
Banda Sonora
C’mere, Interpol
Cof, cof ! (assoa!)
Apesar de todas as indicações físicas e lógicas apontarem para o contrário, voltei ao tasco
Sinto a cabeça meio zonza, mas isso é normal
Ainda estou longe do meu melhor, um bocado de tosse e a garganta não está para grandes cantigas em karaokes, mas muito mais quente depois do caldo de galinha da Anastacia,
Ou terá disso dela ter me aquecido a cama com o seu corpo bem torneado?
De qualquer forma, voltei para tomar conta da chafarica.
A todos os que me desejaram as melhoras, o meu muito obrigado.
A vossa força positiva ajudou-me a superar o maldito vírus.
Ou então foi o nimed.
De qual quer forma, foram importantes e eu fiquei sensibilizado com elas.
E com as receitas de chás e afins para ajudar na constipação.
Já agradeci a quem tem votado em mim?
Obrigado!
Não serão esquecidos. You know waht I mean...
Agora que estou de volta, tentarei manter isto actualizado, mas não está fácil hoje.
Assim que a imaginação e inspiração voltarem, postarei algo mais interessante que isto.
Com um bocado de sorte, lá para Julho estará por aqui um texto interessante.
Se tiverem sorte, repito.
Banda Sonora
Evil, Interpol
Sinto a cabeça meio zonza, mas isso é normal
Ainda estou longe do meu melhor, um bocado de tosse e a garganta não está para grandes cantigas em karaokes, mas muito mais quente depois do caldo de galinha da Anastacia,
Ou terá disso dela ter me aquecido a cama com o seu corpo bem torneado?
De qualquer forma, voltei para tomar conta da chafarica.
A todos os que me desejaram as melhoras, o meu muito obrigado.
A vossa força positiva ajudou-me a superar o maldito vírus.
Ou então foi o nimed.
De qual quer forma, foram importantes e eu fiquei sensibilizado com elas.
E com as receitas de chás e afins para ajudar na constipação.
Já agradeci a quem tem votado em mim?
Obrigado!
Não serão esquecidos. You know waht I mean...
Agora que estou de volta, tentarei manter isto actualizado, mas não está fácil hoje.
Assim que a imaginação e inspiração voltarem, postarei algo mais interessante que isto.
Com um bocado de sorte, lá para Julho estará por aqui um texto interessante.
Se tiverem sorte, repito.
Banda Sonora
Evil, Interpol
Quarta-feira, Abril 20, 2005
O sénhor Terepia huje não vem
O sénhor éstá dê cama cum gripe e não vem tumar conta du tasco huje.
Huje não há pratus do dia.
Só cáfe, sandé de cuirato e mini.
Pudem sempré ver ás terapias antériorés, nus “Meses e Meses Em Terapia” ou irêm aus tascos quê éstão nus “Ansitropicos de Eleição”.
E cláro, vutarem no Sénhor Terepia, achu ke issu o daxaria mélhor...
Agoura vou passar nás mesas e levantar us cópos dê impérial vázius.
Dépois dê fexar u tasco, vou lévar um caldu dê gálinha ao meu pátrão e aquecê-lo quê sei ke está cheio dê friu sen mim na cama...
Assinado
Anatácia, a cheka
Banda Sonora
Rebellion (lies), The Arcade Fire
Huje não há pratus do dia.
Só cáfe, sandé de cuirato e mini.
Pudem sempré ver ás terapias antériorés, nus “Meses e Meses Em Terapia” ou irêm aus tascos quê éstão nus “Ansitropicos de Eleição”.
E cláro, vutarem no Sénhor Terepia, achu ke issu o daxaria mélhor...
Agoura vou passar nás mesas e levantar us cópos dê impérial vázius.
Dépois dê fexar u tasco, vou lévar um caldu dê gálinha ao meu pátrão e aquecê-lo quê sei ke está cheio dê friu sen mim na cama...
Assinado
Anatácia, a cheka
Banda Sonora
Rebellion (lies), The Arcade Fire
Terça-feira, Abril 19, 2005
Num dia qualquer...
- Olá. Podes chegar aqui?
- Eu?
- Sim, tolinho. Está ai sozinho, por isso não poderia ser com mais ninguém.
Espantado mas desconfiado, levantou-se e foi.
- Estava para quando me dizias o teu nome e tomavas café comigo.
Corou. O calor na face fê-lo baixar os olhos e brotar um sorriso tímido.
Ela também sorrio. Mas com malícia .
- Olhas para mim todos os dias, passas os olhos pelas minhas pernas, mamas, cara, olhos e não tinhas tido coragem para me dizeres “olá”.
Agora é que ele estava mesmo encavacado. Mas qual driblador de 1ª água, tentou fintar a afirmação.
- É que não bebo a estas horas – Tomou um expressão séria de gozo.
Ela riu. Ria num tom baixinho e agradável. Ele respirou fundo pelo nariz para sentir o cheiro dela.
- Eu dei o primeiro passo, acho que mereço que me pagues o café.
- Com a condição de amanhã pagares tu.
- Porquê amanhã? Não tomas café à noite?
E sorrio novamente, agora feliz e confiante, por que pela cara que ele fez, ela ganhou o dia
Banda Sonora
This one is for you , Ed Harcourt
- Eu?
- Sim, tolinho. Está ai sozinho, por isso não poderia ser com mais ninguém.
Espantado mas desconfiado, levantou-se e foi.
- Estava para quando me dizias o teu nome e tomavas café comigo.
Corou. O calor na face fê-lo baixar os olhos e brotar um sorriso tímido.
Ela também sorrio. Mas com malícia .
- Olhas para mim todos os dias, passas os olhos pelas minhas pernas, mamas, cara, olhos e não tinhas tido coragem para me dizeres “olá”.
Agora é que ele estava mesmo encavacado. Mas qual driblador de 1ª água, tentou fintar a afirmação.
- É que não bebo a estas horas – Tomou um expressão séria de gozo.
Ela riu. Ria num tom baixinho e agradável. Ele respirou fundo pelo nariz para sentir o cheiro dela.
- Eu dei o primeiro passo, acho que mereço que me pagues o café.
- Com a condição de amanhã pagares tu.
- Porquê amanhã? Não tomas café à noite?
E sorrio novamente, agora feliz e confiante, por que pela cara que ele fez, ela ganhou o dia
Banda Sonora
This one is for you , Ed Harcourt
Segunda-feira, Abril 18, 2005
Frases Soltas ou Coisas que dizemos, escrevemos e não sabendo bem porquê, publicamos
Olhos que nos gelam as entranhas
São os olhos que aparecem quando fechas os teus, que procuras em cada olhar.
Post pedido, implorado, baseado e ameaçado pela Judite, que percebeu o sentido da frase quando o mesmo me escapou.
Banda Sonora
Smille like you mean it, The Killers
São os olhos que aparecem quando fechas os teus, que procuras em cada olhar.
Post pedido, implorado, baseado e ameaçado pela Judite, que percebeu o sentido da frase quando o mesmo me escapou.
Banda Sonora
Smille like you mean it, The Killers
VOTE (faça disso a sua boa acção do dia)
Vou a votos.
O concurso Popularidade de Blogs – Na Blogoesfera informou ontem que o meu tasco está a votos na categoria Literários (?)
Manifesto:
Quem votar em mim, irá ter tacho garantido quando eu me tornar Ditador Vitalício deste sistema solar.
Sim, este é o começo de um plano de mestre for world domination!
Tirando essa razão, não imagino por que iriam votar neste blog.
Para o Juiz Arbitro, como já é habitual neste país para bem receber os árbitros, vejam o caso Apito Dourado, tens o jantar garantido aqui no tasco, uma mão de vaca com grão que aqui a Maria fez com todo o amor e carinho
E por falar em amor e carinho, a checa também te gostava de dar uma palavra. Por isso, faz bem as perguntas por que em português ela só sabe dizer “Sim”.
E todos sabemos como as checas são desenvoltas e cooperantes...
Não que com isto te queira influenciar, pá!
É só para demonstrar hospitalidade. Só isso.
Juro.
Bloggers do Mundo inteiro, depois lerem isto, sabem que serão recompensados por votarem no Blog de Terapia!
Por isso, votem, obriguem os vosso parentes a votar, colegas de trabalho, mulher a dias, arrumadores, dono do café, pessoal da rua, vizinhos, amigos e inimigos.
Em cada computador está um eleitor!
Exerçam o vosso direito de voto e obriguem os outros a fazerem o mesmo!
Desde que seja para votar no meu blog!
Hoje o concurso de Popularidade de Blogs, amanhã, o Cosmos!
Depois de lerem este manifesto, duvido mesmo que alguém vote neste tasco.
Eu vou votar noutro, só por segurança...
Banda Sonora
Evidence, Faith No More
O concurso Popularidade de Blogs – Na Blogoesfera informou ontem que o meu tasco está a votos na categoria Literários (?)
Manifesto:
Quem votar em mim, irá ter tacho garantido quando eu me tornar Ditador Vitalício deste sistema solar.
Sim, este é o começo de um plano de mestre for world domination!
Tirando essa razão, não imagino por que iriam votar neste blog.
Para o Juiz Arbitro, como já é habitual neste país para bem receber os árbitros, vejam o caso Apito Dourado, tens o jantar garantido aqui no tasco, uma mão de vaca com grão que aqui a Maria fez com todo o amor e carinho
E por falar em amor e carinho, a checa também te gostava de dar uma palavra. Por isso, faz bem as perguntas por que em português ela só sabe dizer “Sim”.
E todos sabemos como as checas são desenvoltas e cooperantes...
Não que com isto te queira influenciar, pá!
É só para demonstrar hospitalidade. Só isso.
Juro.
Bloggers do Mundo inteiro, depois lerem isto, sabem que serão recompensados por votarem no Blog de Terapia!
Por isso, votem, obriguem os vosso parentes a votar, colegas de trabalho, mulher a dias, arrumadores, dono do café, pessoal da rua, vizinhos, amigos e inimigos.
Em cada computador está um eleitor!
Exerçam o vosso direito de voto e obriguem os outros a fazerem o mesmo!
Desde que seja para votar no meu blog!
Hoje o concurso de Popularidade de Blogs, amanhã, o Cosmos!
Depois de lerem este manifesto, duvido mesmo que alguém vote neste tasco.
Eu vou votar noutro, só por segurança...
Banda Sonora
Evidence, Faith No More
Sábado, Abril 16, 2005
Teste my balls!
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro querias ser?
Considerando o teor do filme, preferia ser um extintor.
Já alguma vez ficaste apanhadinho (a) por uma personagem de ficcção?
Jessica Rabit conta?
Qual o último livro que compraste?
Nuca comprei um livro na vida. Ou li.
O mais proximos foi uma Hustler.
Pelos artigos.
Qual o último livro que leste?
Ver resposta acima
Que livro estás a ler?
Ver as 2 repostas acima (irra que teste mais chato...!)
Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?
Ok, eu ponho o limite aqui.
Livros e ilha deserta não combinam. São como whisky e vodka no mesmo copo ou uma maniaco-depressiva e uma noite bem passada.
Para uma ilha deserta, um barco, I-pod, cigarros e Carlsbergs suficientes para fazer um pequeno largo arteficial. E a Monica Belluci.
E a Carmen Electra.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Depois de ter feito este teste, cheguei à conclusão que só o poderia passar a quem eu não gosto. Foi um exercicio de masoquismo em nome do desafio (obrigadinho ò Papa-Figos)
Mas como não tenho qualquer contacto com essas “pessoas”, corto o mal pela raiz.
Ninguém devia ter de gramar com este hino à falta de imaginação.
Acabei o teste.
E foram 10m da minha vida que nunca irei recuperar.
Banda Sonora
Crown of love, The Arcade Fire
Considerando o teor do filme, preferia ser um extintor.
Já alguma vez ficaste apanhadinho (a) por uma personagem de ficcção?
Jessica Rabit conta?
Qual o último livro que compraste?
Nuca comprei um livro na vida. Ou li.
O mais proximos foi uma Hustler.
Pelos artigos.
Qual o último livro que leste?
Ver resposta acima
Que livro estás a ler?
Ver as 2 repostas acima (irra que teste mais chato...!)
Que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?
Ok, eu ponho o limite aqui.
Livros e ilha deserta não combinam. São como whisky e vodka no mesmo copo ou uma maniaco-depressiva e uma noite bem passada.
Para uma ilha deserta, um barco, I-pod, cigarros e Carlsbergs suficientes para fazer um pequeno largo arteficial. E a Monica Belluci.
E a Carmen Electra.
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
Depois de ter feito este teste, cheguei à conclusão que só o poderia passar a quem eu não gosto. Foi um exercicio de masoquismo em nome do desafio (obrigadinho ò Papa-Figos)
Mas como não tenho qualquer contacto com essas “pessoas”, corto o mal pela raiz.
Ninguém devia ter de gramar com este hino à falta de imaginação.
Acabei o teste.
E foram 10m da minha vida que nunca irei recuperar.
Banda Sonora
Crown of love, The Arcade Fire
Sexta-feira, Abril 15, 2005
It’s the Whisky talking
- Pá, lembras-te da Arlete?
- Arlete...Arlete...não. Devia? Foi algum daqueles nomes que me passou e só ficou o "querida"?
- Nope. Ela andou connosco no secundário.
- Não tou a ver
- Ela era meio feiota e fraca de corpo
- Definitivamente não me lembro. Mas porquê?
- Via à uns tempos e táva boa!
- Isso são boas noticias...
- A gaja casou.
- ...Já não são tão boas noticias.
- Mas não imaginas com quem casou!
- Com uma mulher?
- Não, pá. Com um gajo que era segurança numa dessas companhias de segurança.
- Preferia a ideia dela casada com outra gaja, dava-me mais gozo pensar nisso que num segurança.
- Pá, ela ficou grossa e o primeiro que a apanhou casou com ela.
- Esta conversa tem algum objectivo? Ou já é o whisky a falar?
- Também. Como te estava a contar, ela táva toda boa e o gajo começou a sair com ela, provou, viu que era bom e vai de casar com a tolinha. Ela se tivesse tido um namorado no secundário, foi muito, por isso, caiu na cantiga do gajo e antes de fazer 21, táva amarrada.
- Mais uma história triste de uma juventude perdida. É lamentável. Mas pergunto outra vez, esta conversa vai a algum lado ou tenho de mudar de mesa?
- Calma. A gaja não acaba o curso e vai trabalhar para o Jumbo.
- Fascinante...conta-me mais sobre a vida dela, estou a adorar!
- Foda-se, tás embirrante.! À frente...A gaja começa a trabalhar e o gajo só faz turnos da noite. Ela chega a casa, sozinha, passas o serões a ver telenovelas...
- Vida triste. Se a ideia é deprimir-me, estás a conseguir
- ...Os gajos que trabalham no Jumbo começam a dar-lhe atenção e tal, ela começa a ficar carente...Resultado, andou a fazer a rodagem a tudo o que era vendedor e até a meio talho!
- Os bifes lá em casa deviam ser um espanto!
- Parece que sim. Mas a tipa ganhou-lhe o gosto, fartou-se de estar sozinha com o calhau do marido sempre fora e pouco atencioso, divorciou-se do segurança, ficou com a casa e recheio, o gajo ficou tão em baixo com a separação que só levou a roupa dele e a maquina de café.
No Jumbo passou a chefe de secção numa manobra à “Monica Lewisky” com o director, um cota de 65 anos que se ia reformar. Uma jogada de mestre!
- Qual das partes? A do divorcio ou a debaixo da mesa?
- As duas. Casa montada, emprego razoável, boa comó milho!
- Linda história. A sério. Até já tenho outro respeito pelas mulheres...Mas como é que sabes isso tudo?
- Sou amigo do chefe do talho! E o gajo percebe de febras! (riso alterado e em falsete)
- Obrigado pela história. O próximo Jameson pagas tu, só por te ter ouvido.
- Não, man, não foi por isso que te contei isto!
- Afinal há uma razão...
- A Arlete está ali numa mesa com uma amiga que eu conheço, sozinhas! Agora já sabes quem ela é e podes meter conversa com cenas do secundário. Depois, também sabes que o que a casa gasta e não é um tiro no escuro!
- Gosto da tua maneira da pensar...
Banda Sonora
Death man, Niti Sawhney
- Arlete...Arlete...não. Devia? Foi algum daqueles nomes que me passou e só ficou o "querida"?
- Nope. Ela andou connosco no secundário.
- Não tou a ver
- Ela era meio feiota e fraca de corpo
- Definitivamente não me lembro. Mas porquê?
- Via à uns tempos e táva boa!
- Isso são boas noticias...
- A gaja casou.
- ...Já não são tão boas noticias.
- Mas não imaginas com quem casou!
- Com uma mulher?
- Não, pá. Com um gajo que era segurança numa dessas companhias de segurança.
- Preferia a ideia dela casada com outra gaja, dava-me mais gozo pensar nisso que num segurança.
- Pá, ela ficou grossa e o primeiro que a apanhou casou com ela.
- Esta conversa tem algum objectivo? Ou já é o whisky a falar?
- Também. Como te estava a contar, ela táva toda boa e o gajo começou a sair com ela, provou, viu que era bom e vai de casar com a tolinha. Ela se tivesse tido um namorado no secundário, foi muito, por isso, caiu na cantiga do gajo e antes de fazer 21, táva amarrada.
- Mais uma história triste de uma juventude perdida. É lamentável. Mas pergunto outra vez, esta conversa vai a algum lado ou tenho de mudar de mesa?
- Calma. A gaja não acaba o curso e vai trabalhar para o Jumbo.
- Fascinante...conta-me mais sobre a vida dela, estou a adorar!
- Foda-se, tás embirrante.! À frente...A gaja começa a trabalhar e o gajo só faz turnos da noite. Ela chega a casa, sozinha, passas o serões a ver telenovelas...
- Vida triste. Se a ideia é deprimir-me, estás a conseguir
- ...Os gajos que trabalham no Jumbo começam a dar-lhe atenção e tal, ela começa a ficar carente...Resultado, andou a fazer a rodagem a tudo o que era vendedor e até a meio talho!
- Os bifes lá em casa deviam ser um espanto!
- Parece que sim. Mas a tipa ganhou-lhe o gosto, fartou-se de estar sozinha com o calhau do marido sempre fora e pouco atencioso, divorciou-se do segurança, ficou com a casa e recheio, o gajo ficou tão em baixo com a separação que só levou a roupa dele e a maquina de café.
No Jumbo passou a chefe de secção numa manobra à “Monica Lewisky” com o director, um cota de 65 anos que se ia reformar. Uma jogada de mestre!
- Qual das partes? A do divorcio ou a debaixo da mesa?
- As duas. Casa montada, emprego razoável, boa comó milho!
- Linda história. A sério. Até já tenho outro respeito pelas mulheres...Mas como é que sabes isso tudo?
- Sou amigo do chefe do talho! E o gajo percebe de febras! (riso alterado e em falsete)
- Obrigado pela história. O próximo Jameson pagas tu, só por te ter ouvido.
- Não, man, não foi por isso que te contei isto!
- Afinal há uma razão...
- A Arlete está ali numa mesa com uma amiga que eu conheço, sozinhas! Agora já sabes quem ela é e podes meter conversa com cenas do secundário. Depois, também sabes que o que a casa gasta e não é um tiro no escuro!
- Gosto da tua maneira da pensar...
Banda Sonora
Death man, Niti Sawhney
Quinta-feira, Abril 14, 2005
Chase ou (another) Non Sense Short Story
Sinto-a seguir-me cada passo.
Caminho mais rápido pela rua, faço a curva e espero dentro do saguão do primeiro prédio que encontro.
Conto até 200.
Saiu.
Rua vazia.
Óptimo.
Sigo no sentido contrário
Corro calçada acima
Um autocarro!
Entro, pago e sento-me atrás
Uma paragem, duas, paragens, três paragens.
Saiu.
Olho em volta.
Só pessoas ocupadas com os seus afazeres
Respiro fundo
Calma...
Continuo a andar...
A sensação outra vez!
Não olho para trás
Entro num taxi
- Para casa!
O fogareiro olha pelo retrovisor com ar desconfiado
- Suponho que tenho de ser mais especifico...
- Convém! A não ser que esteja a insinuar que quer vir para casa comigo...
Dou a morada.
Encosto-me no assento, relaxo.
Pelo menos tento.
Mudo de ideias.
- Pare aqui!
Pago, com gorjeta e saiu rápido.
Nada dela.
Olho em volta.
Lojas fechadas, cafés e restaurantes.
É cedo, vou matar o tempo
Entro num café, peço um whisky.
Penso nela, na sensação de tê-la sempre comigo...arrepia-me os pelos dos braços.
Casa, tenho de chegar a casa
Mas agora, mais um whisky.
Ela não está aqui.
Apenas eu e o whisky. E o cigarro.
Confirmo nos bolsos, tenho tudo, carteira, óculos, mais outro maço de tabaco.
Telemóvel calado.
Tudo normal.
Ir para casa.
Já
Saiu, apanho o Metro.
Não a sinto.
Um autocarro, mais outro
Ainda nada dela
O começo da minha rua.
Desço-a, mais calmo.
Vejo a minha porta da rua.
Assim que meto a chave, lá está ela.
Nada a fazer
Por muito que fuja, a sombra não me larga
Banda Sonora
Nature Boy, Nick Cave and the Bad Seeds
Caminho mais rápido pela rua, faço a curva e espero dentro do saguão do primeiro prédio que encontro.
Conto até 200.
Saiu.
Rua vazia.
Óptimo.
Sigo no sentido contrário
Corro calçada acima
Um autocarro!
Entro, pago e sento-me atrás
Uma paragem, duas, paragens, três paragens.
Saiu.
Olho em volta.
Só pessoas ocupadas com os seus afazeres
Respiro fundo
Calma...
Continuo a andar...
A sensação outra vez!
Não olho para trás
Entro num taxi
- Para casa!
O fogareiro olha pelo retrovisor com ar desconfiado
- Suponho que tenho de ser mais especifico...
- Convém! A não ser que esteja a insinuar que quer vir para casa comigo...
Dou a morada.
Encosto-me no assento, relaxo.
Pelo menos tento.
Mudo de ideias.
- Pare aqui!
Pago, com gorjeta e saiu rápido.
Nada dela.
Olho em volta.
Lojas fechadas, cafés e restaurantes.
É cedo, vou matar o tempo
Entro num café, peço um whisky.
Penso nela, na sensação de tê-la sempre comigo...arrepia-me os pelos dos braços.
Casa, tenho de chegar a casa
Mas agora, mais um whisky.
Ela não está aqui.
Apenas eu e o whisky. E o cigarro.
Confirmo nos bolsos, tenho tudo, carteira, óculos, mais outro maço de tabaco.
Telemóvel calado.
Tudo normal.
Ir para casa.
Já
Saiu, apanho o Metro.
Não a sinto.
Um autocarro, mais outro
Ainda nada dela
O começo da minha rua.
Desço-a, mais calmo.
Vejo a minha porta da rua.
Assim que meto a chave, lá está ela.
Nada a fazer
Por muito que fuja, a sombra não me larga
Banda Sonora
Nature Boy, Nick Cave and the Bad Seeds
Limites
Ando a testar os meus limites.
Durmo pouco, tenho esforçado o corpo mais que o recomendado, horas de trabalho, curso, problemas, dia a dia.
Não tenho parado para descansar. Nem sei se quero
Há uma força que tende à inércia dentro de mim.
Um peso que me tenta obrigar a ficar quieto, inerte. A velha sensação de abandonar a luta, de desistir, parar.
Para a enfrentar, tenho tentado não parar
Correr mais, não parar
Lutar mais, não parar
Pensar menos, não parar
Fazer o que é certo, não parar
Parar é perder, principalmente quando sentimos o frio do desanimo, a lacuna do dia, a insatisfação do que não temos ainda.
Manter os olhos abertos, quando se querem fechar
Acreditar, quando não há muitas razões para isso
Fazer mais com menos, quando já tanto tive e agora parece não ter nada
Esforçar mesmos quando é mais difícil, quando tudo já foi tão fácil
Forçar os limites para ver se quebro ou defino novos
Descobri forças que não sabia que existiam
Ver mais longe que este horizonte
Um dia, conseguirei
Um dia passarei este nível
Um dia chegarei à outra margem
Um dia conquistarei este castelo
Esse dia ainda não chegou
Mas vai chegar
Um dia.
Banda Sonora
The one you love, Rufus Wainwright
Durmo pouco, tenho esforçado o corpo mais que o recomendado, horas de trabalho, curso, problemas, dia a dia.
Não tenho parado para descansar. Nem sei se quero
Há uma força que tende à inércia dentro de mim.
Um peso que me tenta obrigar a ficar quieto, inerte. A velha sensação de abandonar a luta, de desistir, parar.
Para a enfrentar, tenho tentado não parar
Correr mais, não parar
Lutar mais, não parar
Pensar menos, não parar
Fazer o que é certo, não parar
Parar é perder, principalmente quando sentimos o frio do desanimo, a lacuna do dia, a insatisfação do que não temos ainda.
Manter os olhos abertos, quando se querem fechar
Acreditar, quando não há muitas razões para isso
Fazer mais com menos, quando já tanto tive e agora parece não ter nada
Esforçar mesmos quando é mais difícil, quando tudo já foi tão fácil
Forçar os limites para ver se quebro ou defino novos
Descobri forças que não sabia que existiam
Ver mais longe que este horizonte
Um dia, conseguirei
Um dia passarei este nível
Um dia chegarei à outra margem
Um dia conquistarei este castelo
Esse dia ainda não chegou
Mas vai chegar
Um dia.
Banda Sonora
The one you love, Rufus Wainwright
Quarta-feira, Abril 13, 2005
As perguntas não ficam sem resposta
Por defeito, não sou uma pessoa muito expansiva. Posso falar muito sobre nada e passar horas a comentar o sexo dos anjos, mas não falo sobre mim.
As pessoas mais próximas, conhecem-me pelos meus actos mas pelas palavras, têm de perguntar.
Não falo sobre o que me atormenta ou o que sinto com qualquer um.
Preciso de motivação externa. Perguntar funciona bem como estimulo.
Primeiro, demonstra interesse (curiosidade também é um tipo de interesse).
Segundo, se fazem uma pergunta, desejam uma resposta.
Se fizeres a pergunta certa a uma pessoa, podes saber muito sobre ela. Se souberem muito sobre ela, podem efectivamente, conhece-la.
O Mundo sempre se moveu mais quando alguém questionou.
O que teria sido de nós se um homenideo não tivesse olhado para uma fogueira feita por um raio e não se tivesse questionado “ Pá, se eu puser aqui uma coxa de mamute, deve ficar mais saboroso que em sushi”.
Ou quando o chinês que inventou a pólvora se questionou “ Já perdi 3 dedos a mandar estes foguetes para o ar! Será que se eu consegui-se com que o Fen Lee, aquela palhaço do meu vizinho, agarra-se 3 ou quatro foguetes ao mesmos tempo, não o rebentava todo?”.
Ou se Albert Einstein não tivesse a ideia de se perguntar “ Se eu for num comboio, a luz lá dentro andará mais rápido que fora dele?”.
Ok, ele respondeu que é tudo relativo...
Mas a ideia é: Quem questiona quer respostas. E com elas aprendemos mais, sobre o Mundo, sobre nós, sobre os outros.
Melhor que uma boa resposta, só mesmo uma boa pergunta.
Isto tudo por que fui questionado.
E gostei.
Se foram boas respostas, foi por que foram óptimas perguntas.
Banda Sonora
Banquet, Bloc Party
As pessoas mais próximas, conhecem-me pelos meus actos mas pelas palavras, têm de perguntar.
Não falo sobre o que me atormenta ou o que sinto com qualquer um.
Preciso de motivação externa. Perguntar funciona bem como estimulo.
Primeiro, demonstra interesse (curiosidade também é um tipo de interesse).
Segundo, se fazem uma pergunta, desejam uma resposta.
Se fizeres a pergunta certa a uma pessoa, podes saber muito sobre ela. Se souberem muito sobre ela, podem efectivamente, conhece-la.
O Mundo sempre se moveu mais quando alguém questionou.
O que teria sido de nós se um homenideo não tivesse olhado para uma fogueira feita por um raio e não se tivesse questionado “ Pá, se eu puser aqui uma coxa de mamute, deve ficar mais saboroso que em sushi”.
Ou quando o chinês que inventou a pólvora se questionou “ Já perdi 3 dedos a mandar estes foguetes para o ar! Será que se eu consegui-se com que o Fen Lee, aquela palhaço do meu vizinho, agarra-se 3 ou quatro foguetes ao mesmos tempo, não o rebentava todo?”.
Ou se Albert Einstein não tivesse a ideia de se perguntar “ Se eu for num comboio, a luz lá dentro andará mais rápido que fora dele?”.
Ok, ele respondeu que é tudo relativo...
Mas a ideia é: Quem questiona quer respostas. E com elas aprendemos mais, sobre o Mundo, sobre nós, sobre os outros.
Melhor que uma boa resposta, só mesmo uma boa pergunta.
Isto tudo por que fui questionado.
E gostei.
Se foram boas respostas, foi por que foram óptimas perguntas.
Banda Sonora
Banquet, Bloc Party
Terça-feira, Abril 12, 2005
Teorias de Tasca
- A foda que não dás hoje, nunca mais dás! – Dizia o velhote a olhar alarvemente para a rapariga da mesa ao lado, com ênfase no decote e na tranca.
Eu ouvi e assenti com um aceno de cabeça. O resto da maralha também, alguns com um sonoro “tens toda a razão”, outros com risos simiescos.
O velhote continuou
- Por que vaca que salta a cerca não volta ao pasto. Essa é que é essa!
Um do tipos calou enquanto olhava para o chão. Já todos sabiam que a namorada o tinha largado e havia quem apostasse que o gajo fora trocado por outro, muito antes de saber que ela o ia deixar com aquela frase que se tornou mítica “ Andar contigo é mais chato que aturar a minha mãe”.
Outros levantaram-se e pediram mais umas imperiais. Eu fiquei a concentrado no o velhote, que sozinho, sorria para a rapariga do decote. Ela nem tinha percebido que o tipo ali estava e continuou a conversa com a amiga.
Este velhote, de fato e gravata, que vinha para tomar uma cerveja antes de ir para casa e só saia quando fechavam a porta, tinha sempre teorias que vinham de uma vivência passada em tascas, tascos, roulotes e casas de pasto.
O fígado também.
- Quem bebe para esquecer, bebe a ilusão!
Dizendo isso levantou-se e foi ao balcão pedir mais uma das suas Sagres.
Encostou-se de costa para o balcão, limpou o gargalo da garrafa e ficou a ver o espectáculo que eram as mesas cheias de gente, cada qual com o seu grupo de pessoas, cada uma com as suas conversas, mas de alguma forma interligadas.
Eu olhava para a rapariga do decote, subtilmente, por que o velho tinha toda a razão em gostar do que via.
Ao meu lado, dois putos falavam de carros e omitiam pareceres entre o binómio carro-dono. Eram “chunnings”, por isso não se podiam esperar grandes ideias ou elevado sentido estético.
O dono do café olhava, fazia sinais se queiramos mais uma rodada.
Entra um tipo que se senta na mesa da rapariga do decote e da amiga. Dois beijinhos na cara, cafézinho, distancia mínima.
Parecia interessado na miúda, mas não olhava para o decote, nem tão pouco insinuava qualquer dança de acasalamento, apenas um olhar apaixonado e muito cuidado nas palavras.
O velho, sorriu e veio à minha mesa.
Olhou languidamente para o decote da rapariga depois para o tipo da mesa dela, pôs-me o braço sobre o ombro e disse para quem quis ouvir
- Quem aquece muito, aquece para os outros!
Com uma gargalhada e uma palmadinha cúmplice nas costas, fez uma vénia à miúda (ou ao decote) e pôs se a andar para casa.
Banda Sonora
Jane says, Jane’s Adcition
Eu ouvi e assenti com um aceno de cabeça. O resto da maralha também, alguns com um sonoro “tens toda a razão”, outros com risos simiescos.
O velhote continuou
- Por que vaca que salta a cerca não volta ao pasto. Essa é que é essa!
Um do tipos calou enquanto olhava para o chão. Já todos sabiam que a namorada o tinha largado e havia quem apostasse que o gajo fora trocado por outro, muito antes de saber que ela o ia deixar com aquela frase que se tornou mítica “ Andar contigo é mais chato que aturar a minha mãe”.
Outros levantaram-se e pediram mais umas imperiais. Eu fiquei a concentrado no o velhote, que sozinho, sorria para a rapariga do decote. Ela nem tinha percebido que o tipo ali estava e continuou a conversa com a amiga.
Este velhote, de fato e gravata, que vinha para tomar uma cerveja antes de ir para casa e só saia quando fechavam a porta, tinha sempre teorias que vinham de uma vivência passada em tascas, tascos, roulotes e casas de pasto.
O fígado também.
- Quem bebe para esquecer, bebe a ilusão!
Dizendo isso levantou-se e foi ao balcão pedir mais uma das suas Sagres.
Encostou-se de costa para o balcão, limpou o gargalo da garrafa e ficou a ver o espectáculo que eram as mesas cheias de gente, cada qual com o seu grupo de pessoas, cada uma com as suas conversas, mas de alguma forma interligadas.
Eu olhava para a rapariga do decote, subtilmente, por que o velho tinha toda a razão em gostar do que via.
Ao meu lado, dois putos falavam de carros e omitiam pareceres entre o binómio carro-dono. Eram “chunnings”, por isso não se podiam esperar grandes ideias ou elevado sentido estético.
O dono do café olhava, fazia sinais se queiramos mais uma rodada.
Entra um tipo que se senta na mesa da rapariga do decote e da amiga. Dois beijinhos na cara, cafézinho, distancia mínima.
Parecia interessado na miúda, mas não olhava para o decote, nem tão pouco insinuava qualquer dança de acasalamento, apenas um olhar apaixonado e muito cuidado nas palavras.
O velho, sorriu e veio à minha mesa.
Olhou languidamente para o decote da rapariga depois para o tipo da mesa dela, pôs-me o braço sobre o ombro e disse para quem quis ouvir
- Quem aquece muito, aquece para os outros!
Com uma gargalhada e uma palmadinha cúmplice nas costas, fez uma vénia à miúda (ou ao decote) e pôs se a andar para casa.
Banda Sonora
Jane says, Jane’s Adcition
Segunda-feira, Abril 11, 2005
Andas cá com uma sorte...
As noites já não são o que eram
Saiu com amigos, divirto-me, bebo copos (ás vezes até mais do que devia) mas as noites acabam a puxar os lençóis para tapar o meu corpo. Só mesmo o meu.
Será uma fase de menos acerto?
Uma baixa de forma?
Falta de sorte?
Não ando a conhecer as pessoas certas?Ou a ir aos sítios certos? Não, não frequento bordéis. Isso sim, seria preocupante. Principalmente por que seria um luxo face ao meus parcos recursos e não tenho pinta de construtor civil.
Ou o “one night stand” anda fora de moda?
Provavelmente é uma lacuna na estratégia. Se eu tivesse uma, claro.
Seja como for, não anda fácil.
As antigas amantes ou casaram (não que isso fosse um problema por ai além...) ou desapareceram sem deixar rasto.
Ou tornaram-se amigas, mas a preto e branco em oposição às coloridas.
Diga-se, em abono da verdade, não tenho quase ligado a nenhuma. O mais certo era desligarem a chamada ou insultar-me. Talvez as duas coisas.
Algo está podre no reino da Dinamarca.
Ou então sou eu.
Já tão longe da beleza dos 20 e ainda sem o charme dos 30.
Ficar velho é duro...
Banda Sonora
Orange crush, REM
Saiu com amigos, divirto-me, bebo copos (ás vezes até mais do que devia) mas as noites acabam a puxar os lençóis para tapar o meu corpo. Só mesmo o meu.
Será uma fase de menos acerto?
Uma baixa de forma?
Falta de sorte?
Não ando a conhecer as pessoas certas?Ou a ir aos sítios certos? Não, não frequento bordéis. Isso sim, seria preocupante. Principalmente por que seria um luxo face ao meus parcos recursos e não tenho pinta de construtor civil.
Ou o “one night stand” anda fora de moda?
Provavelmente é uma lacuna na estratégia. Se eu tivesse uma, claro.
Seja como for, não anda fácil.
As antigas amantes ou casaram (não que isso fosse um problema por ai além...) ou desapareceram sem deixar rasto.
Ou tornaram-se amigas, mas a preto e branco em oposição às coloridas.
Diga-se, em abono da verdade, não tenho quase ligado a nenhuma. O mais certo era desligarem a chamada ou insultar-me. Talvez as duas coisas.
Algo está podre no reino da Dinamarca.
Ou então sou eu.
Já tão longe da beleza dos 20 e ainda sem o charme dos 30.
Ficar velho é duro...
Banda Sonora
Orange crush, REM
Todos os dias têm algo de bom
O mesmo não se aplica ás Segundas-Feiras
Banda Sonora
Straight to hell boy, The Clash
Banda Sonora
Straight to hell boy, The Clash
Domingo, Abril 10, 2005
Any given Sunday
Acordar dificil
Cabeça a andar á roda
Boca seca
Memória confusa
Ligeira moinha nas temporas
Dificuldade em focar e articular palavras
Estes domingos são todos iguais
Fazem me ter esperança que vai ficar tudo bem
Banda Sonora
Yout desease, Saliva
Cabeça a andar á roda
Boca seca
Memória confusa
Ligeira moinha nas temporas
Dificuldade em focar e articular palavras
Estes domingos são todos iguais
Fazem me ter esperança que vai ficar tudo bem
Banda Sonora
Yout desease, Saliva
Sexta-feira, Abril 08, 2005
(Non Sense) Short Story
Chove a potes
Que porra de cidade onde cada noite parece um diluvio.
E que noite para morrer.
O som da sirene ecoa nas ruas desertas, quebrando o tilintar da chuva nos passeios e nos tejadilhos dos carros
Dá para ver qual é o prédio, para além do carro da policia estacionado com as luzes ligadas há tanta gente em volta da entrada que parece que estão a oferecer rebuçados.
Mal consigo para o carro num local perto da porta.
A gabardina protege grande parte da água que teima em cair do céu, mas chego ao pé do policia de giro encharcado e com uma mão a segurar o chapéu
- Ainda bem que já aqui está, Sr. Inspector. É no 2º andar, está porta aberta e já chegou o INEM.
Subi pelas escadas. É um prédio recente, em bom estado, mas estupidamente caro, aqui um T2 com pouco mais de 70m2 vale os seus cm em ouro.
Está outro policia à porta do apartamento. Acena-me com a cabeça e aponta para o fundo do corredor da casa.
Vejo os tipos do INEM e o Marques, outro dos inspectores deste caso.
Sigo o corredor.
Cada casa é o reflexo de quem a habita.
Passo pela sala, o écran de plasma, novo, as chaves de um VW na mesa de centro, o leitor de dvd’s exposto ostensivamente. Muito glamour, muita aparência, pouca substancia.
Uma fogueira de vaidades.
Nem um livro nas estantes.
A mesa de jantar é de qualidade inferior, a mesa de centro, de mau gosto e oxidada no dourado, chão em mau estado tapado pelos sofás de cabedal, cobertos com uma manta para não estragar. Os quadros na parede são imitações de grande obras, nem uma única serigrafia original ou fora de um standard de novo riquismo.
Começo a ter uma imagem clara de quem habita esta casa.
Chego à cozinha.
O Marques está a escrever no bloco e os tipos do INEM esperam que seja verificada a cena do crime para poderem retirar o corpo.
O corpo. Como foi dito pelo rádio, homem, 35 anos, baleado.
Está virado de costa para a porta da cozinha, cara no chão, de frente para o frigorifico.
Tiro pelas costas.
A poça de sangue uniforme indica que não foi movido nem virado.
Ficou onde caiu.
A chuva bate com força na janela fechada, fazendo um tilintar continuo.
A sinfonia desta morte.
- Marques, pormenores.
- A mulher diz que quando entrou ele estava já aqui, morto. Foi ela que ligou para o 112.
- Não mexeu no corpo?
- Diz que não.
- Estranho...se fosse a tua mulher, não terias tentado ver se estava viva, socorrer?
- Se fosse a minha mulher, não! – Disse o Marques com aquele sorriso antropóide que o caracteriza.
- Onde é que ela está?
- No quarto, com uma mulher policia.
- Calma?
- Sim.
Sorri. Isto começa a fazer sentido.
Olho para o corpo. Pela forma como caiu, estava em movimento e não percebeu que ia ser morto. Não esperou este tiro. Conhecia e confiava no assassino.
Agora falta o porquê.
A mão. Ele tem a mão direita fechada e à frente do corpo. Ele ia com ela em riste.
- Marques, ajuda-me a abrir a mão do tipo!
Um colher de sobremesa.
Abro o frigorifico.
Era o que eu esperava.
- Chama a mulher dele e pede aos policias de giro para procurarem debaixo da cama e dentro do armário do quarto.
- Procurarem o quê?
- Um corta unhas..! Ó Marques, uma calibre 32. Mas dá-me 5 minutos
Faço mais uma pequena vistoria à casa.
Começo num armário no corredor
Ostentação não é luxo. As roupas são da feira, os sapatos dele estão gastos, todos. Capas de reforço nas solas, baços de tanto serem engraxados.
Os fatos dela já foram a arranjar várias vezes, parece que tem perdido peso. Dieta ou algo ainda mais natural?
Classe média remediada a viver bem acima das suas possibilidades. Tenção, discussões...típico.
A mulher chega à cozinha. Ainda é jovem, não terá mais de 32 anos, magra, talvez magra demais. É bonita, tem uns olhos azuis claros.
Calmos, mesmo com a visão do marido morto.
O Marques aparece à porta e faz-me um sinal com a cabeça. Encontrou a arma.
- Bom, não lhe preciso dizer por que a chamei aqui, pois não?
- Não.
- Há quanto tempo durava isto?
- Desde que casámos.
- Percebo...
- Não, não percebe! Quando o conheci, parecia que era o maior, sempre com o carro impecável, roupas de marca e conhecia todos os porteiros de discotecas. Mas era só para mostrar.
Andamos a pagar tantos luxos de merda que nem sei o que acontece ao meu ordenado, quase nem dá para por comida em casa!
Mas ele tinha de ter tudo!
No fundo, era um miserável egoísta!
- Dai a ultima fatia de pudim...
- A ultima fatia de pudim? – Perguntou o Marques
- Sim, meu caro. A ultima fatia de pudim. Ele ia comer a ultima fatia, de colher na mão, como fazia sempre e ela passou-se. Nunca dividem. E depois, bang!
Caso encerrado
Já perdi a conta a quantas fatias de pudim já custaram a vida a alguém.
É sempre a mesma história.
Maldita ultima fatia de pudim.
Se ao menos comessem gelados de pacote...
Banda Sonora
Police on my back, The Clash
Que porra de cidade onde cada noite parece um diluvio.
E que noite para morrer.
O som da sirene ecoa nas ruas desertas, quebrando o tilintar da chuva nos passeios e nos tejadilhos dos carros
Dá para ver qual é o prédio, para além do carro da policia estacionado com as luzes ligadas há tanta gente em volta da entrada que parece que estão a oferecer rebuçados.
Mal consigo para o carro num local perto da porta.
A gabardina protege grande parte da água que teima em cair do céu, mas chego ao pé do policia de giro encharcado e com uma mão a segurar o chapéu
- Ainda bem que já aqui está, Sr. Inspector. É no 2º andar, está porta aberta e já chegou o INEM.
Subi pelas escadas. É um prédio recente, em bom estado, mas estupidamente caro, aqui um T2 com pouco mais de 70m2 vale os seus cm em ouro.
Está outro policia à porta do apartamento. Acena-me com a cabeça e aponta para o fundo do corredor da casa.
Vejo os tipos do INEM e o Marques, outro dos inspectores deste caso.
Sigo o corredor.
Cada casa é o reflexo de quem a habita.
Passo pela sala, o écran de plasma, novo, as chaves de um VW na mesa de centro, o leitor de dvd’s exposto ostensivamente. Muito glamour, muita aparência, pouca substancia.
Uma fogueira de vaidades.
Nem um livro nas estantes.
A mesa de jantar é de qualidade inferior, a mesa de centro, de mau gosto e oxidada no dourado, chão em mau estado tapado pelos sofás de cabedal, cobertos com uma manta para não estragar. Os quadros na parede são imitações de grande obras, nem uma única serigrafia original ou fora de um standard de novo riquismo.
Começo a ter uma imagem clara de quem habita esta casa.
Chego à cozinha.
O Marques está a escrever no bloco e os tipos do INEM esperam que seja verificada a cena do crime para poderem retirar o corpo.
O corpo. Como foi dito pelo rádio, homem, 35 anos, baleado.
Está virado de costa para a porta da cozinha, cara no chão, de frente para o frigorifico.
Tiro pelas costas.
A poça de sangue uniforme indica que não foi movido nem virado.
Ficou onde caiu.
A chuva bate com força na janela fechada, fazendo um tilintar continuo.
A sinfonia desta morte.
- Marques, pormenores.
- A mulher diz que quando entrou ele estava já aqui, morto. Foi ela que ligou para o 112.
- Não mexeu no corpo?
- Diz que não.
- Estranho...se fosse a tua mulher, não terias tentado ver se estava viva, socorrer?
- Se fosse a minha mulher, não! – Disse o Marques com aquele sorriso antropóide que o caracteriza.
- Onde é que ela está?
- No quarto, com uma mulher policia.
- Calma?
- Sim.
Sorri. Isto começa a fazer sentido.
Olho para o corpo. Pela forma como caiu, estava em movimento e não percebeu que ia ser morto. Não esperou este tiro. Conhecia e confiava no assassino.
Agora falta o porquê.
A mão. Ele tem a mão direita fechada e à frente do corpo. Ele ia com ela em riste.
- Marques, ajuda-me a abrir a mão do tipo!
Um colher de sobremesa.
Abro o frigorifico.
Era o que eu esperava.
- Chama a mulher dele e pede aos policias de giro para procurarem debaixo da cama e dentro do armário do quarto.
- Procurarem o quê?
- Um corta unhas..! Ó Marques, uma calibre 32. Mas dá-me 5 minutos
Faço mais uma pequena vistoria à casa.
Começo num armário no corredor
Ostentação não é luxo. As roupas são da feira, os sapatos dele estão gastos, todos. Capas de reforço nas solas, baços de tanto serem engraxados.
Os fatos dela já foram a arranjar várias vezes, parece que tem perdido peso. Dieta ou algo ainda mais natural?
Classe média remediada a viver bem acima das suas possibilidades. Tenção, discussões...típico.
A mulher chega à cozinha. Ainda é jovem, não terá mais de 32 anos, magra, talvez magra demais. É bonita, tem uns olhos azuis claros.
Calmos, mesmo com a visão do marido morto.
O Marques aparece à porta e faz-me um sinal com a cabeça. Encontrou a arma.
- Bom, não lhe preciso dizer por que a chamei aqui, pois não?
- Não.
- Há quanto tempo durava isto?
- Desde que casámos.
- Percebo...
- Não, não percebe! Quando o conheci, parecia que era o maior, sempre com o carro impecável, roupas de marca e conhecia todos os porteiros de discotecas. Mas era só para mostrar.
Andamos a pagar tantos luxos de merda que nem sei o que acontece ao meu ordenado, quase nem dá para por comida em casa!
Mas ele tinha de ter tudo!
No fundo, era um miserável egoísta!
- Dai a ultima fatia de pudim...
- A ultima fatia de pudim? – Perguntou o Marques
- Sim, meu caro. A ultima fatia de pudim. Ele ia comer a ultima fatia, de colher na mão, como fazia sempre e ela passou-se. Nunca dividem. E depois, bang!
Caso encerrado
Já perdi a conta a quantas fatias de pudim já custaram a vida a alguém.
É sempre a mesma história.
Maldita ultima fatia de pudim.
Se ao menos comessem gelados de pacote...
Banda Sonora
Police on my back, The Clash
Quinta-feira, Abril 07, 2005
Pattern recognition
Fiquei estupefacto.
Mais de 10.000 visitas, soa a algo de sério.
10.000 visitantes aqui no tasco, são muitos cafés servidos, muita sande de coirato mastigada, muita mini bebida.
Muitas palavras lidas, muitas palavras escritas nos comments.
É muita gente.
A duvida assalta-me o espirito: Porquê?
A blogoesfera é enorme, cheia de tasco, tasquinhas, roulotes e restaurantes de qualidade reconhecida, mas mesmo assim, enganei 10.000.
Pior, enganei alguns bem mais que uma vez.
Serei um grande político em potencialidade?
Nem pensar nisso, a minha mãe matava-me.
Se ela soubesse o que faço, também não ficava contente. Por isso, ainda a deixo pensar que sou pianista num bordel.
Mas voltando à clientela.
O que será que os trás aqui? Não é com certeza a bifana especial.
A duvida invadia-me o espirito, não dormi.
Só havia uma coisa a fazer. Eu precisava de ajuda especial.
Bati à porta do Mestre Kambaronga, professor de artes ocultas Africanas, Pai de santo, Astrólogo e percussão na Banda de Kisomba “Nois aqui”.
-Mestre, abra um frango e leia nas entranhas! O que levou tantas almas a passarem no meu tasco?
Ainda meio ensonado, eu bati-lhe á porta ás 3.45 da manhã, o enorme africano (olhai ai os trocadilhos), com a rede no cabelo e de pijama Armani, grunhiu um insulto em “mongolê” e mandou-me sentar no seu gabinete,
Voltou passado 2 minutos, já com o seu traje tribal, muito mais na onda de um mestre africano, ligou o seu portátil (sim, aquilo é tudo high tec), e pediu uns breves momentos para consultar os atros e búzios, on line.
A impressora disparou e saiu uma folha com a solução.
Agora, sim, eu entendo.
Agradeci ao meu mestre efusivamente, por uma vez mais me ter orientado em tempos de duvida.
Ele bocejou um “Vai te embora que eu quero dormir, fisgasse!” e eu parti, muito mais aliviado do meu fardo.
A explicação do sucesso (?) deste tasco é simples:
O engano!
Na folha que o mestre Kambaronga, de verdadeiro nome Alcino Tenderoso, nascido em Almada e criado no Miratejo que de África só conhece Cabo Verde de umas férias “espirituais” com a sua secretária, uma latona de fazer para o transito, estava impresso as paginas de origem dos meus visitantes, sendo este o Top 10:
- Monica+Belluci+nua
- Monica+Belluci+toda+boa
- Monica+Belluci+hotstuff
- Miudas+em+fio+dental
- Sexo+Selvagem
- Sexo+com+miuda
- Prozac+gratis
- Fotografias+debaixo+vestido
- Lolitas+Portuguese+Free
- Group+sex
Está explicado o padrão.
Agora, para um incremento de visitas (espero patrocínios em breve, que isto anda mal de finanças), vou colocar mais fotos e menos texto.
Coisas com nomes como “Briana”, “Jenna”, “gatinhas”, “drogas baratas” e assim.
Chego aos 20.000 antes do final do mês!
Afinal, andam todos ao mesmo
P.S. Aos meus caros clientes e amigos que cá passam mesmo para ver e comentar neste blog manhoso e de reputação duvidosa, o meu muito obrigado.
Fico preocupado com vocês, mas agradecido na mesma.
Banda Sonora
Honest mistake, The Bravery
Mais de 10.000 visitas, soa a algo de sério.
10.000 visitantes aqui no tasco, são muitos cafés servidos, muita sande de coirato mastigada, muita mini bebida.
Muitas palavras lidas, muitas palavras escritas nos comments.
É muita gente.
A duvida assalta-me o espirito: Porquê?
A blogoesfera é enorme, cheia de tasco, tasquinhas, roulotes e restaurantes de qualidade reconhecida, mas mesmo assim, enganei 10.000.
Pior, enganei alguns bem mais que uma vez.
Serei um grande político em potencialidade?
Nem pensar nisso, a minha mãe matava-me.
Se ela soubesse o que faço, também não ficava contente. Por isso, ainda a deixo pensar que sou pianista num bordel.
Mas voltando à clientela.
O que será que os trás aqui? Não é com certeza a bifana especial.
A duvida invadia-me o espirito, não dormi.
Só havia uma coisa a fazer. Eu precisava de ajuda especial.
Bati à porta do Mestre Kambaronga, professor de artes ocultas Africanas, Pai de santo, Astrólogo e percussão na Banda de Kisomba “Nois aqui”.
-Mestre, abra um frango e leia nas entranhas! O que levou tantas almas a passarem no meu tasco?
Ainda meio ensonado, eu bati-lhe á porta ás 3.45 da manhã, o enorme africano (olhai ai os trocadilhos), com a rede no cabelo e de pijama Armani, grunhiu um insulto em “mongolê” e mandou-me sentar no seu gabinete,
Voltou passado 2 minutos, já com o seu traje tribal, muito mais na onda de um mestre africano, ligou o seu portátil (sim, aquilo é tudo high tec), e pediu uns breves momentos para consultar os atros e búzios, on line.
A impressora disparou e saiu uma folha com a solução.
Agora, sim, eu entendo.
Agradeci ao meu mestre efusivamente, por uma vez mais me ter orientado em tempos de duvida.
Ele bocejou um “Vai te embora que eu quero dormir, fisgasse!” e eu parti, muito mais aliviado do meu fardo.
A explicação do sucesso (?) deste tasco é simples:
O engano!
Na folha que o mestre Kambaronga, de verdadeiro nome Alcino Tenderoso, nascido em Almada e criado no Miratejo que de África só conhece Cabo Verde de umas férias “espirituais” com a sua secretária, uma latona de fazer para o transito, estava impresso as paginas de origem dos meus visitantes, sendo este o Top 10:
- Monica+Belluci+nua
- Monica+Belluci+toda+boa
- Monica+Belluci+hotstuff
- Miudas+em+fio+dental
- Sexo+Selvagem
- Sexo+com+miuda
- Prozac+gratis
- Fotografias+debaixo+vestido
- Lolitas+Portuguese+Free
- Group+sex
Está explicado o padrão.
Agora, para um incremento de visitas (espero patrocínios em breve, que isto anda mal de finanças), vou colocar mais fotos e menos texto.
Coisas com nomes como “Briana”, “Jenna”, “gatinhas”, “drogas baratas” e assim.
Chego aos 20.000 antes do final do mês!
Afinal, andam todos ao mesmo
P.S. Aos meus caros clientes e amigos que cá passam mesmo para ver e comentar neste blog manhoso e de reputação duvidosa, o meu muito obrigado.
Fico preocupado com vocês, mas agradecido na mesma.
Banda Sonora
Honest mistake, The Bravery
Quarta-feira, Abril 06, 2005
Arrependam-se, Pecadores!
Passaram mais de 10.000 visitantes por este blog
Isso só pode ser a prova que o Apocalipse está para chegar
Banda Sonora
If I ever feel better, Phoenix
Isso só pode ser a prova que o Apocalipse está para chegar
Banda Sonora
If I ever feel better, Phoenix
Mal entendido
Quem nos conhece melhor não sabe necessariamente tudo
E sobre mim, é complicado saber tudo.
Ontem levei com isso na cara
Bom, não foi bem na cara, foi mais pelos ouvidos a dentro, soou como unhas a passarem num quadro.
Já nem sei bem por quê, mas ao café, com uns amigos, ou melhor, pessoal que conheço e uma grande amiga, essa querida e já decana companheira de vida decide mandar para o ar " Tu andas apaixonado pela Morena!"
Sabem a cara de parvo que fazem quando ouvem algo imbecil e sem sentido? Aquela expressão de otários que roça o simiesco? O ar de quem vai gritar "What?"!
Agora imaginem isso na tromba de um tipo quem está em terapia.
Para começar, as minha aventura com a Morena devia ser o segredo mais mal guardado desde o "caso Lewinsky", mas nunca apareceu nos tabloides e nunca foi comentado na minha frente. Muito menos à frente de 7 pessoas.
Por delicadeza, uns olharam para o chão, pediram conta, tiveram ataques de tosse.
Fiquei com a sensação que alguém andava a tomar drogas e não era eu.
Olhei para a minha doce amiga e perguntei,calmo e sorridente (foi mais uns esgar nervoso)
-O quê? Do que é que estás a falar?
Ela olhou para mim, muito convicta e responde:
-Eu sei. Eu li o teu blog.
Até aqui, nada de muito chocante. Ela é a uma de 2 pessoas que sabe o meu dirty secret. E disse o baixinho, ninguém mais ouviu.
Mas há um pequeno problema de quebra de protocolo. Quando lhe passei o endereço do site, só lhe deixei duas regras:
Regra nº 1 – Não se fala do Blog de Terapia
Regra nº 2 – Em caso de dúvida, aplicar regra nº1.
Regra quebrada. Não gostei.
Mas à frente…
Mas de onde raio tirou ela aquela ideia?
Já não escrevo ou penso na morena faz bastante tempo.
Será que teve um aneurisma e não percebeu?
Será que eu tive uma branca e não me lembro do que escrevo?
Será que aquilo de dimensões paralelas é real?
Será que estamos a falar do mesmo?
Como mau e o pior são duas coisas que andam de mão dada, a Loira (que estava lá com o namorado) vira-se para mim e diz, para reforçar a ideia:
-Sim, acho que estás. Não te esqueças que eu vi.
A realidade não é igual para todos, mas isto é ridículo.
O que diabo viu ela se eu próprio não vejo a Morena à meses?
Só por que sou solteiro implica um amor não correspondido?
Sou assim tão interessante para acharem que só não ando agarrado a uma miúda por que tenho o coração preso a outra?
Que só não ando ai a fazer razias a tudo o que é mulher por que não superei a morena?
Pelo que percebi, é a ideia geral
Uma vez mais, a maioria não está certa.
As minhas "aventuras" foram largamente exageradas.
Não sou um predador
E não estou apaixonado
Nem pela morena nem por ninguém.
Por isso, vão ser todos lixar com as teorias sexo-sentimentais sobre outros e olhem para os vossos umbigos!
Cumcaralho, já não se pode sair à noite por estes lados!
Acabaram-se cafés em grupo quando está tudo já com os copos
A partir de agora, em grupo, só sexo
Banda Sonora
Girl I’m gonna fuck you up, Republic of Loose
E sobre mim, é complicado saber tudo.
Ontem levei com isso na cara
Bom, não foi bem na cara, foi mais pelos ouvidos a dentro, soou como unhas a passarem num quadro.
Já nem sei bem por quê, mas ao café, com uns amigos, ou melhor, pessoal que conheço e uma grande amiga, essa querida e já decana companheira de vida decide mandar para o ar " Tu andas apaixonado pela Morena!"
Sabem a cara de parvo que fazem quando ouvem algo imbecil e sem sentido? Aquela expressão de otários que roça o simiesco? O ar de quem vai gritar "What?"!
Agora imaginem isso na tromba de um tipo quem está em terapia.
Para começar, as minha aventura com a Morena devia ser o segredo mais mal guardado desde o "caso Lewinsky", mas nunca apareceu nos tabloides e nunca foi comentado na minha frente. Muito menos à frente de 7 pessoas.
Por delicadeza, uns olharam para o chão, pediram conta, tiveram ataques de tosse.
Fiquei com a sensação que alguém andava a tomar drogas e não era eu.
Olhei para a minha doce amiga e perguntei,calmo e sorridente (foi mais uns esgar nervoso)
-O quê? Do que é que estás a falar?
Ela olhou para mim, muito convicta e responde:
-Eu sei. Eu li o teu blog.
Até aqui, nada de muito chocante. Ela é a uma de 2 pessoas que sabe o meu dirty secret. E disse o baixinho, ninguém mais ouviu.
Mas há um pequeno problema de quebra de protocolo. Quando lhe passei o endereço do site, só lhe deixei duas regras:
Regra nº 1 – Não se fala do Blog de Terapia
Regra nº 2 – Em caso de dúvida, aplicar regra nº1.
Regra quebrada. Não gostei.
Mas à frente…
Mas de onde raio tirou ela aquela ideia?
Já não escrevo ou penso na morena faz bastante tempo.
Será que teve um aneurisma e não percebeu?
Será que eu tive uma branca e não me lembro do que escrevo?
Será que aquilo de dimensões paralelas é real?
Será que estamos a falar do mesmo?
Como mau e o pior são duas coisas que andam de mão dada, a Loira (que estava lá com o namorado) vira-se para mim e diz, para reforçar a ideia:
-Sim, acho que estás. Não te esqueças que eu vi.
A realidade não é igual para todos, mas isto é ridículo.
O que diabo viu ela se eu próprio não vejo a Morena à meses?
Só por que sou solteiro implica um amor não correspondido?
Sou assim tão interessante para acharem que só não ando agarrado a uma miúda por que tenho o coração preso a outra?
Que só não ando ai a fazer razias a tudo o que é mulher por que não superei a morena?
Pelo que percebi, é a ideia geral
Uma vez mais, a maioria não está certa.
As minhas "aventuras" foram largamente exageradas.
Não sou um predador
E não estou apaixonado
Nem pela morena nem por ninguém.
Por isso, vão ser todos lixar com as teorias sexo-sentimentais sobre outros e olhem para os vossos umbigos!
Cumcaralho, já não se pode sair à noite por estes lados!
Acabaram-se cafés em grupo quando está tudo já com os copos
A partir de agora, em grupo, só sexo
Banda Sonora
Girl I’m gonna fuck you up, Republic of Loose
Terça-feira, Abril 05, 2005
Dão-se alviceras
A quem encontrar a minha vida
ultimamente parece que só blogo
Banda Sonora
All my litle words, Magnetic Fields
ultimamente parece que só blogo
Banda Sonora
All my litle words, Magnetic Fields
Segunda-feira, Abril 04, 2005
You gonna get me in my sleep
Sinto-o como uma dormência na ponta dos dedos
Sinto-o como uma dor na tempora
Sinto o medo
Oiço o barulho do turbilhão
Oiço o ribombar do trovão
Oiço-o aproximar
Cheiro-o como algo no ar
Cheiro-o como uma flor a desabrochar
Cheiro a desilusão
Vejo-o no céu escuro
Vejo-o no luar soturno
Vejo-o chegar
Vem me apanhar enquanto durmo
Banda Sonora
The saddest song, Morphine
Sinto-o como uma dor na tempora
Sinto o medo
Oiço o barulho do turbilhão
Oiço o ribombar do trovão
Oiço-o aproximar
Cheiro-o como algo no ar
Cheiro-o como uma flor a desabrochar
Cheiro a desilusão
Vejo-o no céu escuro
Vejo-o no luar soturno
Vejo-o chegar
Vem me apanhar enquanto durmo
Banda Sonora
The saddest song, Morphine
Domingo, Abril 03, 2005
Obrigado
Sou obrigado a escrever estas palavras
Obrigado pela voz que murmura no fundo da minha nuca
“Não é altura de desistir. Agora não deves voltar atrás”.
Sou obrigado a falar.
Sou obrigado a dizer.
Não vou voltar ao que já fui.
Há forças que me tentam a fazer inversão de marcha, a voltar as costas, a voltar a fechar-me em torno de mim, como um bicho de conta, ao menor sinal de dificuldade. Aparentemente blindado, mas que se esmaga com menor impácto.
Uma ilusão de segurança.
Um erro.
Sou obrigado a escrever sobre estes ultimos dias.
Andei estranhamente aéreo.
Desde sexta que parece que passo mais tempo a olhar para dentro que para fora, que mesmo no meio de uma multidão de um concerto, estava só.
Com amigos mas isolado.
Parece que algo me anda começar a atormentar.
A ansiedade.
Ou melhor, a falta dela.
Não tenho nada para ansear.
Um telefonema, uma pessoa, um amor, um trabalho, um amigo.
Não sinto ansea de nada.
Sinto uma total normalidade perante qualquer evento.
Não sinto o sangue a correr mais rápido, não sinto a adernalina, não sinto a respiração alterada, não sinto calor no peito, não sinto nó no estomago.
Fisicamente, não sinto anseadade.
Mentalmente, não sinto vontade.
Sentimentalmente, não sinto comoção.
Sou obrigado a admitir que não gosto de estar assim.
É um descontentamento continuo, só interrompido por ligeiros vislumbres de prazer, mas etereos como uma miragem no deserto, assim que nos aproximamos, desaparece.
E volta o descontentamento.
Sou obrigado a descrever a minha tarde na esplanada.
No fundo, o corolário do meu fim de semana
Mas para centrar bem este tema, tenho de explicar que sexta-feira, após um grande concerto, vim para o bar do costume onde me entretive, entre amigos, a aumentar o meu peso corporal em liquidos ao ponto de ser cerca de 12% derivado de cerveja.
Resultado, ressaca capaz de atordoar um cavalo e uma tarde com a noção de equilibrio alterada.
E uma sensação de que tudo está errado no reino que possuo, que os cortesãos não me contam tudo, que o bobo da corte é quem usa a coroa.
Na noite de sabado, voltei ao local do crime para um concerto (desta vez uma banda portuguesa de covers e por acaso, bem boa), onde controlei os meus impetos alcoolicos.
A idade tem disto, duas bebedeiras seguindas, daquela magnitude, terme-iam deixado de cama até quarta-feira.
Ouvi uns putos a tocarem e a cantarem, volto a repetir, muito bem, na companhia da minha amiga de muitos anos, ora perdido no labirinto dos meus pensamentos, ora falando com ela.
Tudo muito aéreo, pouco rigoroso na minha memoria, excepto dois rostos femininos que me chamaram a atenção, um já vira, outro não.
Por que pensei nelas agora? Simples, foram a coisa mais perto de algo interessante que me deixasse a pensar ou a sonhar, naquela noite.
Engraçado, o que mais gostei, por nunca ter visto, quase se apagou na minha memória.
Será já a senilidade?
Duas noites, dois dias
Insatisfeito, aéreo
Isolado no meio do turbilhão
Dadas estas breves e confusas explicações, passarei à tarde na esplanda
Obrigo-me a levantar, tomar duche e sair.
Levo um livro, que li todo hoje, um caderninho onde às vezes escrevo apontamentos, que anda com pouco uso, e tabaco.
Conduzo até ao local.
A esplanada tem um relvado bonito onde se pode andar descalço.
A mesas, de um vermelho pouco agradável e de metal, estão dispostas como ilhas de quarto portos, já algumas ocupadas pelos habitues e casais com filhotes.
Passo por mesas de conhecidos, aceno com a mão e murmuro qualquer coisa que soe a uma saudação
Entro e peço o habitual, italiana e água Castelo fresca.
A minha favorita, uma empregada de fim-de-semana, com feições tão jovens como os seus verdes anos, de corpo volumosos mas gracioso e sorriso encantador, brinda-me com um “olá” e atende o meu pedido sem demoras.
Saiu, escolho uma mesa afastada, de frente para o sol, onde possa ouvir musica em paz e ler o livro.
Os conhecidos, ignoram a minha demanda. Sabem, por instinto, que não quero companhia, por que a solidão não pode ser partilhada e o vazio não poder ser preenchido por conversas de ocasião e sorrisos de boa educação.
Sento-me.
Perto de mim, e enquanto arrumo os meus pertences e as beberagens, noto duas irmãs que tomam café, numa mesa na diagonal da minha, à distancia de 2 metros.
Conheço de vista.
A mais nova, olha e sorri para a mais velha.
A mais velha, com namorado de à muito, faz um movimento cumplice de cabeça.
São duas potrancas de montar, com ares de muitas horas de picadeiro, exalam um aroma acre de morenas.
De oculos escuros, olho-as.
Não tanto por luxuria mas por que posso, por que estão a li, por curiosidade.
Olho-as.
Mas perdem o interesse.
Volto-me para o livro.
O sol sabe bem e aquece-me o corpo.
Nem o ligeiro vento, vindo do norte, faz diferença.
O corpo aquece, mas o coração, o espirito ainda estão frios.
Ponho-me no lugar do personagem.
Imagino tudo na primeira pessoa.
Perco-me nas palavras, no passar das páginas.
Só dou pelo tempo passar quando um casal, da minha idade, me interrompe a leitura e me trás de volta das Caraibas da minha imaginação, para a esplanada onde ficou o meu corpo
- Importa-se que tiremos estas cadeiras?
Olho os de frente, já tinha tirado os oculos escuros e não tenho nada a proteger o meu olhar.
A rapariga faz um sorriso agradável. O rapaz fica espectante.
Respondo
– Estejam à vontade, só preciso de uma- enquanto esboço um sorriso de simpatia.
A rapariga olha para a cadeira, depois para mim e diz
– É pena. Mas obrigado.
Pegam nas cadeiras e afastam-se.
Percebi o que ela quis dizer.
Não foi uma frase de engate, não foi uma frase de simpatia.
Ela viu.
A solidão nos meus olhos, o fardo do meu isolamento.
Foi uma frase de conforto.
Depois disto, apenas o livro.
Não havia mais nada a olhar, a dizer, a escrever.
Aquele olhar e aquela frase ficaram a tilintar no fundo da minha mente.
Estou visivel, até para quem não me conhece
Há algumas coisas que achamos que estão só dentro de nós.
Até alguém reparar nelas como se de uma sombra imensa que não nos abandona se trata-se.
Sou obrigado a escrever estas palavras
Sairam em catadupa, sem controle
E cairam juntas
Num post longo demais
Quem o vir, poderá não o ler
Eu fui obrigado a escrevê-lo
Mas vocês não são obrigados a nada
Banda Sonora
The man is the baby, Anthony and the Johnson’s
Obrigado pela voz que murmura no fundo da minha nuca
“Não é altura de desistir. Agora não deves voltar atrás”.
Sou obrigado a falar.
Sou obrigado a dizer.
Não vou voltar ao que já fui.
Há forças que me tentam a fazer inversão de marcha, a voltar as costas, a voltar a fechar-me em torno de mim, como um bicho de conta, ao menor sinal de dificuldade. Aparentemente blindado, mas que se esmaga com menor impácto.
Uma ilusão de segurança.
Um erro.
Sou obrigado a escrever sobre estes ultimos dias.
Andei estranhamente aéreo.
Desde sexta que parece que passo mais tempo a olhar para dentro que para fora, que mesmo no meio de uma multidão de um concerto, estava só.
Com amigos mas isolado.
Parece que algo me anda começar a atormentar.
A ansiedade.
Ou melhor, a falta dela.
Não tenho nada para ansear.
Um telefonema, uma pessoa, um amor, um trabalho, um amigo.
Não sinto ansea de nada.
Sinto uma total normalidade perante qualquer evento.
Não sinto o sangue a correr mais rápido, não sinto a adernalina, não sinto a respiração alterada, não sinto calor no peito, não sinto nó no estomago.
Fisicamente, não sinto anseadade.
Mentalmente, não sinto vontade.
Sentimentalmente, não sinto comoção.
Sou obrigado a admitir que não gosto de estar assim.
É um descontentamento continuo, só interrompido por ligeiros vislumbres de prazer, mas etereos como uma miragem no deserto, assim que nos aproximamos, desaparece.
E volta o descontentamento.
Sou obrigado a descrever a minha tarde na esplanada.
No fundo, o corolário do meu fim de semana
Mas para centrar bem este tema, tenho de explicar que sexta-feira, após um grande concerto, vim para o bar do costume onde me entretive, entre amigos, a aumentar o meu peso corporal em liquidos ao ponto de ser cerca de 12% derivado de cerveja.
Resultado, ressaca capaz de atordoar um cavalo e uma tarde com a noção de equilibrio alterada.
E uma sensação de que tudo está errado no reino que possuo, que os cortesãos não me contam tudo, que o bobo da corte é quem usa a coroa.
Na noite de sabado, voltei ao local do crime para um concerto (desta vez uma banda portuguesa de covers e por acaso, bem boa), onde controlei os meus impetos alcoolicos.
A idade tem disto, duas bebedeiras seguindas, daquela magnitude, terme-iam deixado de cama até quarta-feira.
Ouvi uns putos a tocarem e a cantarem, volto a repetir, muito bem, na companhia da minha amiga de muitos anos, ora perdido no labirinto dos meus pensamentos, ora falando com ela.
Tudo muito aéreo, pouco rigoroso na minha memoria, excepto dois rostos femininos que me chamaram a atenção, um já vira, outro não.
Por que pensei nelas agora? Simples, foram a coisa mais perto de algo interessante que me deixasse a pensar ou a sonhar, naquela noite.
Engraçado, o que mais gostei, por nunca ter visto, quase se apagou na minha memória.
Será já a senilidade?
Duas noites, dois dias
Insatisfeito, aéreo
Isolado no meio do turbilhão
Dadas estas breves e confusas explicações, passarei à tarde na esplanda
Obrigo-me a levantar, tomar duche e sair.
Levo um livro, que li todo hoje, um caderninho onde às vezes escrevo apontamentos, que anda com pouco uso, e tabaco.
Conduzo até ao local.
A esplanada tem um relvado bonito onde se pode andar descalço.
A mesas, de um vermelho pouco agradável e de metal, estão dispostas como ilhas de quarto portos, já algumas ocupadas pelos habitues e casais com filhotes.
Passo por mesas de conhecidos, aceno com a mão e murmuro qualquer coisa que soe a uma saudação
Entro e peço o habitual, italiana e água Castelo fresca.
A minha favorita, uma empregada de fim-de-semana, com feições tão jovens como os seus verdes anos, de corpo volumosos mas gracioso e sorriso encantador, brinda-me com um “olá” e atende o meu pedido sem demoras.
Saiu, escolho uma mesa afastada, de frente para o sol, onde possa ouvir musica em paz e ler o livro.
Os conhecidos, ignoram a minha demanda. Sabem, por instinto, que não quero companhia, por que a solidão não pode ser partilhada e o vazio não poder ser preenchido por conversas de ocasião e sorrisos de boa educação.
Sento-me.
Perto de mim, e enquanto arrumo os meus pertences e as beberagens, noto duas irmãs que tomam café, numa mesa na diagonal da minha, à distancia de 2 metros.
Conheço de vista.
A mais nova, olha e sorri para a mais velha.
A mais velha, com namorado de à muito, faz um movimento cumplice de cabeça.
São duas potrancas de montar, com ares de muitas horas de picadeiro, exalam um aroma acre de morenas.
De oculos escuros, olho-as.
Não tanto por luxuria mas por que posso, por que estão a li, por curiosidade.
Olho-as.
Mas perdem o interesse.
Volto-me para o livro.
O sol sabe bem e aquece-me o corpo.
Nem o ligeiro vento, vindo do norte, faz diferença.
O corpo aquece, mas o coração, o espirito ainda estão frios.
Ponho-me no lugar do personagem.
Imagino tudo na primeira pessoa.
Perco-me nas palavras, no passar das páginas.
Só dou pelo tempo passar quando um casal, da minha idade, me interrompe a leitura e me trás de volta das Caraibas da minha imaginação, para a esplanada onde ficou o meu corpo
- Importa-se que tiremos estas cadeiras?
Olho os de frente, já tinha tirado os oculos escuros e não tenho nada a proteger o meu olhar.
A rapariga faz um sorriso agradável. O rapaz fica espectante.
Respondo
– Estejam à vontade, só preciso de uma- enquanto esboço um sorriso de simpatia.
A rapariga olha para a cadeira, depois para mim e diz
– É pena. Mas obrigado.
Pegam nas cadeiras e afastam-se.
Percebi o que ela quis dizer.
Não foi uma frase de engate, não foi uma frase de simpatia.
Ela viu.
A solidão nos meus olhos, o fardo do meu isolamento.
Foi uma frase de conforto.
Depois disto, apenas o livro.
Não havia mais nada a olhar, a dizer, a escrever.
Aquele olhar e aquela frase ficaram a tilintar no fundo da minha mente.
Estou visivel, até para quem não me conhece
Há algumas coisas que achamos que estão só dentro de nós.
Até alguém reparar nelas como se de uma sombra imensa que não nos abandona se trata-se.
Sou obrigado a escrever estas palavras
Sairam em catadupa, sem controle
E cairam juntas
Num post longo demais
Quem o vir, poderá não o ler
Eu fui obrigado a escrevê-lo
Mas vocês não são obrigados a nada
Banda Sonora
The man is the baby, Anthony and the Johnson’s
Sexta-feira, Abril 01, 2005
1º de Abril!
Eu não resisti.
Gosto destes pequenos rituais, não fosse eu pagão assumido.
Já agora, sabem por que é o 1º de Abril o dia das mentiras?
O Prof. Terapia ensina, crianças:
- Antes do calendário gregoriano, o que usamos actualmente, era usado o calendário grego.
Nesse calendário, o 1º de Abril era o primeiro dia do ano.
Só por volta do sec. XV, salvo erro, com o Papa Pio 4 (mais pio, menos pio), foi criado e adoptado o calendário gregoriano, como já deverão ter reparado, por que costuma ser feriado e estamos todos de ressaca, o 1º dia do ano passou para o 1 de Janeiro.
Daí a associação ao dia das mentiras
- O primeiro dia do ano? 1 de Abril!
- É mentira!
(pelo menos, foi o peixe que me venderam…)
Informação completamente inútil, eu sei.
Sou um repositório deste tipo de informação
Mas voltando ao que interessa
Não vou fazer nada do que escrevi abaixo.
Criei este bolg com um objectivo e um rumo (acreditem ou não, ele tem), por isso vou manter-me fiel ao mesmo.
Se quisesse que me vissem ou gostassem de mim, criava outro blog, com foto e dados pessoais e falava de coisas consensuais, gerais e fofas.
Mas o Blog de Terapia é assim e assim continuará.
Já há muito que tenho esta opinião, mas depois de ler este post que a Catarina escreveu, tocas numa ferida que eu não quero ter, sei que a forma como imaginei e mantive este tasco é a mais correcta.
Acreditem, pelos vários comentários que me escrevem e que eu escrevo, por mais que uma vez, senti-me tentado a personalizar mais este tasco e o meu relacionamento com grande parte de quem o lê e passa aqui para tomar um copo.
Mas se olharem com atenção, pouco mais pessoal pode ser.
Aqui já falei dos meus amores e desamores, escrevi poemas que nunca tive coragem de mostrar a ninguém, falo de mim, do que faço, do Eu mais próximo da minha pessoa que o maior parte das pessoas que orbitam na periferia do meu dia a dia desconhecem de todo.
Aqui falo o que me vai na alma.
Acreditem, não o faço com muita frequência, no Mundo real.
Aqui, escrevo coisas tão pessoais que a imensa maioria das pessoas que me "conhecem" não fazem a mais pálida ideia que as sinto, penso ou imagino. Sou muito cioso do meu espaço, a quem entrego a minha confiança e raramente falo sobre mim.
Aqui, sou o contrário.
Aqui, quem me lê, pode não saber o meu nome, a cor dos meus olhos, mas sabe mais sobre mim do que muitas pessoas a quem sorriu todos os dias e já ouviram a minha voz.
Aqui sou o Terapia?.
Mas ele não é uma personagem criada.
Ele sou eu.
Talvez o meu melhor eu.
Ele é aquilo que muitas vezes o que penso e não digo, sinto e não partilho, escrevo mas não deixo ler.
Se houveram mudanças, "lá fora", foi por escrever aqui
Afinal, isto é terapia
Any way….
Vamos lá responder aos comentários dos meu irredutíveis clientes e amigos.
Aquele abraço para vocês todos, só por vocês este blog é um sucesso.
À escala da minha rua, mas um sucesso, non the less
Papa-Figos, obrigado por teres entregado logo a informação! Pá, dava para seres menos atento hoje?? Chiça! :)
Aquele abraço
MIN, só hj? Quer dizer que já não posso usar a minha famosa frase de engate "desculpa o atraso, mas demorei a estacionar o SLK "? ;)
Kiss
Bufas, somos do Belém, somos uns crentes. Gente de fé.
Abraços azuis
G!, tu é que tens razão.
Aura de mistério. Tinha de a ter, nem que seja só na blogesfera.
A cena das alterações hormonais…ainda estou em tratamento
Abraço
Garfanho, tinha de ser algo que fizesse alguma diferença. Se eu dissesse que isto ia fechar, achas k alguém ligava??
Abraços
Jerusa, se não fosse esse gajo a chibar….Tu até acreditavas!
És tão querida quando és credula :)
Kiss
Catwoman, ainda não foi desta.
Sei k por tua vontade, mandava já convites para jantar.
Quem sabe um dia…
Beijo
Kitty, e se fosse verdade??? Mas não é. A malta da margem sul tens destas coisas. E hj era o dia delas.
Bacci
Ediena, pois, mas não deu. Hj n revelo nada.
Mas a cena de galar o rabo à empregada e das cervejas é verdade
Beijinhos
Bom fim de semana, pessoal
O tasco, como sempre, tá aberto 24/7
Banda Sonora
If you don’t get what you want, dEUS
Gosto destes pequenos rituais, não fosse eu pagão assumido.
Já agora, sabem por que é o 1º de Abril o dia das mentiras?
O Prof. Terapia ensina, crianças:
- Antes do calendário gregoriano, o que usamos actualmente, era usado o calendário grego.
Nesse calendário, o 1º de Abril era o primeiro dia do ano.
Só por volta do sec. XV, salvo erro, com o Papa Pio 4 (mais pio, menos pio), foi criado e adoptado o calendário gregoriano, como já deverão ter reparado, por que costuma ser feriado e estamos todos de ressaca, o 1º dia do ano passou para o 1 de Janeiro.
Daí a associação ao dia das mentiras
- O primeiro dia do ano? 1 de Abril!
- É mentira!
(pelo menos, foi o peixe que me venderam…)
Informação completamente inútil, eu sei.
Sou um repositório deste tipo de informação
Mas voltando ao que interessa
Não vou fazer nada do que escrevi abaixo.
Criei este bolg com um objectivo e um rumo (acreditem ou não, ele tem), por isso vou manter-me fiel ao mesmo.
Se quisesse que me vissem ou gostassem de mim, criava outro blog, com foto e dados pessoais e falava de coisas consensuais, gerais e fofas.
Mas o Blog de Terapia é assim e assim continuará.
Já há muito que tenho esta opinião, mas depois de ler este post que a Catarina escreveu, tocas numa ferida que eu não quero ter, sei que a forma como imaginei e mantive este tasco é a mais correcta.
Acreditem, pelos vários comentários que me escrevem e que eu escrevo, por mais que uma vez, senti-me tentado a personalizar mais este tasco e o meu relacionamento com grande parte de quem o lê e passa aqui para tomar um copo.
Mas se olharem com atenção, pouco mais pessoal pode ser.
Aqui já falei dos meus amores e desamores, escrevi poemas que nunca tive coragem de mostrar a ninguém, falo de mim, do que faço, do Eu mais próximo da minha pessoa que o maior parte das pessoas que orbitam na periferia do meu dia a dia desconhecem de todo.
Aqui falo o que me vai na alma.
Acreditem, não o faço com muita frequência, no Mundo real.
Aqui, escrevo coisas tão pessoais que a imensa maioria das pessoas que me "conhecem" não fazem a mais pálida ideia que as sinto, penso ou imagino. Sou muito cioso do meu espaço, a quem entrego a minha confiança e raramente falo sobre mim.
Aqui, sou o contrário.
Aqui, quem me lê, pode não saber o meu nome, a cor dos meus olhos, mas sabe mais sobre mim do que muitas pessoas a quem sorriu todos os dias e já ouviram a minha voz.
Aqui sou o Terapia?.
Mas ele não é uma personagem criada.
Ele sou eu.
Talvez o meu melhor eu.
Ele é aquilo que muitas vezes o que penso e não digo, sinto e não partilho, escrevo mas não deixo ler.
Se houveram mudanças, "lá fora", foi por escrever aqui
Afinal, isto é terapia
Any way….
Vamos lá responder aos comentários dos meu irredutíveis clientes e amigos.
Aquele abraço para vocês todos, só por vocês este blog é um sucesso.
À escala da minha rua, mas um sucesso, non the less
Papa-Figos, obrigado por teres entregado logo a informação! Pá, dava para seres menos atento hoje?? Chiça! :)
Aquele abraço
MIN, só hj? Quer dizer que já não posso usar a minha famosa frase de engate "desculpa o atraso, mas demorei a estacionar o SLK "? ;)
Kiss
Bufas, somos do Belém, somos uns crentes. Gente de fé.
Abraços azuis
G!, tu é que tens razão.
Aura de mistério. Tinha de a ter, nem que seja só na blogesfera.
A cena das alterações hormonais…ainda estou em tratamento
Abraço
Garfanho, tinha de ser algo que fizesse alguma diferença. Se eu dissesse que isto ia fechar, achas k alguém ligava??
Abraços
Jerusa, se não fosse esse gajo a chibar….Tu até acreditavas!
És tão querida quando és credula :)
Kiss
Catwoman, ainda não foi desta.
Sei k por tua vontade, mandava já convites para jantar.
Quem sabe um dia…
Beijo
Kitty, e se fosse verdade??? Mas não é. A malta da margem sul tens destas coisas. E hj era o dia delas.
Bacci
Ediena, pois, mas não deu. Hj n revelo nada.
Mas a cena de galar o rabo à empregada e das cervejas é verdade
Beijinhos
Bom fim de semana, pessoal
O tasco, como sempre, tá aberto 24/7
Banda Sonora
If you don’t get what you want, dEUS
Revelação
Caros visitantes: ontem, após longas horas de meditação com umas cervejas à frente e a galar o rabo à empregada de balcão, decidi que este blog tem de levar uma volta!
Não pode continuar assim, não pode…
Por isso, hoje, irei revelar a identidade secreta do Terapia? !
Até parece que estamos a falar do Batman
O nome, idade, morada, e-mail, msn, favoritos do Internet Explorer, fotografia, radiografias, grupo sanguíneo , B.I., NIF e NIB (aceitam-se doações) do gajo que escreve aqui vão ser postos a nu!
Por razões morais e de bom gosto, a fotografia será com roupa e não nu, como poderiam pensar.
Vai cair a cortina! Ainda hoje, postada toda a verdade! Não perca!
Vá, respira fundo, coragem!
Agora, já com todos os dados compilados para que ainda antes do final do dia seja editado, é só arranjar uma foto actual (já com rosto de homem devido à operação e ao tratamento hormonal) para associar ao post, em que não esteja com cara de parvo.
Essa vai a ser a parte mais complexa
Não percam, ele vai sair do armário!
Soa um bocado mal escrito assim…
Banda Sonora
The true, Handsome Boy Modeling School
Não pode continuar assim, não pode…
Por isso, hoje, irei revelar a identidade secreta do Terapia? !
Até parece que estamos a falar do Batman
O nome, idade, morada, e-mail, msn, favoritos do Internet Explorer, fotografia, radiografias, grupo sanguíneo , B.I., NIF e NIB (aceitam-se doações) do gajo que escreve aqui vão ser postos a nu!
Por razões morais e de bom gosto, a fotografia será com roupa e não nu, como poderiam pensar.
Vai cair a cortina! Ainda hoje, postada toda a verdade! Não perca!
Vá, respira fundo, coragem!
Agora, já com todos os dados compilados para que ainda antes do final do dia seja editado, é só arranjar uma foto actual (já com rosto de homem devido à operação e ao tratamento hormonal) para associar ao post, em que não esteja com cara de parvo.
Essa vai a ser a parte mais complexa
Não percam, ele vai sair do armário!
Soa um bocado mal escrito assim…
Banda Sonora
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